Vulnerabilidade é fraqueza? Por que engolimos o que sentimos no trabalho
Neste episódio do Gerações Cast, Andrea Eboli conversa com a psicóloga e mentora de carreira Joyce Martinhão e o profissional de audiovisual Paulinho, de 21 anos, sobre o que fazemos com o que sentimos. A conversa atravessa vulnerabilidade no trabalho, o luto de mudar de carreira, a herança emocional da infância, a importância de nomear as emoções antes de buscar soluções e a diferença entre querer ser ouvido e querer ser resolvido.
Resposta direta
Vulnerabilidade não é fraqueza — é coragem. Ser forte o suficiente para mostrar a própria fragilidade exige mais poder do que fingir que está tudo resolvido; mas contexto importa: não se sangra em tanque de tubarões.
Principais aprendizados
Principais aprendizados
- Coragem é ter força suficiente para mostrar fragilidade. Aprender a chorar torna você mais forte, não mais fraco.
- Vulnerabilidade tem contexto. "Não sangre no tanque de tubarões": nem todo ambiente é seguro para se expor, e ter clareza das próprias vulnerabilidades não significa exibi-las a qualquer um.
- O autoconhecimento é a chave — mas exige silêncio, e o silêncio é difícil num mundo barulhento que estimula você a fugir de si mesmo.
- Nomear a emoção vem antes de resolvê-la. Até que você dê nome ao que sente, o sentimento te domina.
- Existe um espaço entre o problema e a solução que precisa ser vivido. Às vezes a pessoa não quer solução — quer ser ouvida.
- Mudar de carreira é um luto legítimo. Você não deixa para trás o que construiu; passa a entregá-lo de outra forma.
- A felicidade nasce dentro. Terceirizar para o chefe, o emprego ou o parceiro aquilo que deveria vir de você gera frustração.
- Não se compare. Cada um tem sua jornada, sua bagagem e seu ponto de partida.
Perguntas frequentes
O que significa "não sangre no tanque de tubarões"?
Significa que a vulnerabilidade tem contexto: é essencial conhecer as próprias fragilidades, mas você não pode abrir tudo para qualquer pessoa ou em qualquer ambiente. Ter clareza das emoções é sabedoria; expô-las sem discernimento, num espaço que ainda cobra performance, pode ser perigoso.
Ver pergunta completaPor que preciso nomear o que sinto antes de resolver?
Porque, até que você tenha consciência e nomeie o sentimento, ele te controla e te domina. Existe um espaço entre o problema e a solução que precisa ser vivido; pular direto para resolver impede que você digira a emoção e tome decisões realmente conscientes.
Ver pergunta completaMudar de carreira é um luto? Como lidar com essa transição?
Sim, mudar de carreira é um luto legítimo — o encerramento de um ciclo que precisa ser sentido e elaborado. Mas você não deixa para trás tudo o que construiu: leva a bagagem consigo e passa a entregá-la de uma forma diferente, alinhada aos seus novos valores e prioridades.
Ver pergunta completaPor que buscamos no outro o reconhecimento que deveria vir de dentro?
Porque terceirizamos para o externo aquilo que deveria partir do interior. A felicidade e o reconhecimento nascem dentro: quando você se reconhece, se valoriza e entende qual é o seu lugar, para de cobrar do chefe, do emprego ou do parceiro uma validação que só você pode se dar.
Ver pergunta completaConceitos relacionados
Transcrição
Olá, eu sou Andreia Ébole. >> E eu sou o LG. >> E estamos aqui em mais um podcast Gerações, >> que também é conhecido como Gerações Cast.
>> A nossa nova temporada. >> É uma nova temporada >> e é uma temporada diferente. >> Diferente.
>> E hoje a gente vai estar falando sobre um tema muito legal. O que que você faz com que com o que você sente? >> Ai, essa é uma pergunta difícil, né?
Vamos ver o que que os nossos convidados vão dizer. >> Como você sabe, o podcast Gerações é um espaço de troca entre gerações. Todo mundo aqui aprende e ensina.
É uma coisa muito legal, né? É um momento muito legal. >> É um momento legal com pessoas incríveis e muitas vezes as reflexões geram pra gente além de insight, mas profundidade faz com que a gente para para pensar >> e chegar no nosso equilíbrio.
E agora, essa temporada a gente tá falando muito sobre isso, né? Sobre temas, uma temática que faz a gente chegar mais naquele equilíbrio, buscar consciência, autoconhecimento. Eu acho que a gente tá buscando muito e tá trazendo muito isso para cá.
Bom, e hoje a gente tem dois convidados muito especiais, a Joice e o Paulinho, e eles estão aqui com a gente hoje e vão se apresentar. Para começar, eu queria que eles contassem pra gente um pouco quem eles são através da última pesquisa que eles fizeram em alguma das redes sociais aí, um dos Claudes da vida, chat PT Gud, e a gente meio que eh vê a idade de acordo com a ferramenta que ele usou, [risadas] né? >> Verdade.
>> Vamos lá, quem começa? Olá, Joice. >> Olá, bom dia.
Prazer estar aqui com vocês. Eh, interessante. A gente tá agora, né, no meio da Copa do Mundo e muita coisa acontecendo e uma das coisas que me chamou bastante atenção foi o jogo de Cabo Verde contra a Espanha, porque o goleiro foi o destaque.
>> Vozinha. >> Vozinha. E aí eu fui buscar informações para entender quem era o Vozinha, porque eu vi que ele saiu acho que de 50.
000 para mais de milhões, acho que >> mais de 9 milhões, >> 10 milhões, 9 milhões de seguidores que ele ganhou após esse jogo. E aí eu fui entender um pouco da trajetória dele, o que que tinha acontecido, porque eu não assisti o jogo inteiro, mas repercutiu bastante e foi muito interessante porque linca muito com que eu também acredito. Ele saiu chorando do estádio porque e ele falou: "É um choro de resiliência".
Ele defendeu acho que sete gols ali que seriam gols marcados pela Espanha em um jogo que ficou empatado, né? Então, para mim foi incrível por um outro prisma, como psicóloga, como mentora de carreira, ver a história de carreira desse profissional que foi muito resiliente e que tá hoje, né, sendo reconhecido pelo mundo de uma forma e ele não tem clube. Então, se a gente falar sobre esse profissional, ele tá desempregado, >> né?
É, >> então eu comecei a seguir ele, >> olha. >> E eh fiquei muito feliz em conhecer da história e o reconhecimento que ele tá tendo. >> Que legal, hein?
>> Sim, >> vozinha. Inclusive é um jogão com a Espanha que é uma das candidatas, inclusive é o título da Copa do Mundo que deixou mais nobre ainda a atuação dele, né? >> Sim.
É. É. E o nome dele e foi inspirado em um jogador brasileiro.
>> Hum. >> Sim. Quando ele >> tá sabendo tudo, hein, dona J.
Pesquisar. Sim. resiliente, [risadas] curiosa, foi lá, foi ver, muito bom, representa muito a Joice mesmo.
>> E aí, Paulinho? E você? >> Então, eu tô tentando lembrar aqui, na verdade, qual foi a última coisa que eu que eu pesquisei.
Eu acho que justamente eu eu eu tenho que fazer esse esforço para lembrar uma coisa que talvez tenha acontecido há 5 minutos, seja um efeito justamente das redes sociais, o que que elas estão fazendo com a nossa memória, né? Olha, >> então eu sinceramente eu não vou lembrar. Eu não sei o que eu tava, eu talvez talvez tenha sido alguma coisa sobre a Copa do Mundo também, mas eu realmente não, não.
>> A seu trabalho, você pesquisa muita coisa sobre o seu trabalho. >> É, vira mexe, a gente às vezes precisa aprender alguma coisa nova, precisa inovar, porque eu trabalho com audiovisual, né? >> Opa, espera, espera.
Você trabalha com quê, Paulinha? >> Com audiovisual. >> Onde você trabalha?
[risadas] Ah, é num estúdio aí de São Paulo. Trabalho aqui no estúdio Amauri Mauro. >> Uhum.
E vir me a gente precisa inventar alguma coisa nova, precisa inovar, porque eh hoje eu eu percebo que a busca por coisas novas é pode ser muito cansativo, muito exaustivo, na verdade, porque toda hora tem que ter alguma coisa nova, tem que ter uma coisa diferente, precisa ser algo sempre extraordinário. Ninguém tá nunca satisfeito com aquela coisa que é muito simples e que às vezes pode te pode te dar uma satisfação enorme, mas não. Temos que ser muito incríveis.
Então é um desafio também até para, acho que para todas as áreas hoje, né? Mas pro audiovisual eu particularmente tenho percebido muito isso. Tem vai fazer >> sempre faltando, né?
>> Exato. Sempre tem que suprir alguma coisa, mas não só na parte aqui de gravação tal, mas eu também sou editor de vídeo, então eu também edito bastante coisa e tal. E sempre tem que ser uma edição que chama muita atenção nos primeiros, segundos, porque senão a pessoa pula, não vai ver o seu vídeo.
Cara, como isso é cansativo, chato, assim, é muito complicado. Eu acho que todo mundo tá sentindo isso, todas as áreas, mas no audiovisual eu sinto isso muito forte. >> Então eu acho que muita gente da área também compartilha desse sentimento.
Tem que ser uma coisa incrível, não pode ser uma coisa que é muito mais focado no conteúdo, tem que ser algo que chama muita atenção, dinâmico, senão a pessoa pula. Agora você já começou a entrar no nosso tema, né? Porque o nosso tema é como é que a gente lida com as coisas que a gente sente.
E essa cobrança que você tá falando é uma cobrança que agora tá vindo das redes sociais, mas ela veio desde quando somos crian desde quando somos crianças, né? Então a gente tem cobranças. Como vocês em gerações diferentes lidam lidaram com essa cobrança da infância?
Isso vem até hoje? Vocês sentem que parte do comportamento de vocês hoje veio de alguma coisa lá de trás? Você já consegue identificar isso?
>> Sem dúvidas. Sem dúvidas. Eh, se puder comentar aqui, né?
É, eu venho de uma família onde meus pais se separaram, eu era muito nova, então minha mãe sempre trabalhou muito e ela sempre foi um exemplo de que a mulher precisaria ter eh esse papel de trabalhadora, de independência. E isso me guiou muito e até hoje eu sempre tive e tenho essa busca pela minha independência, pela minha autonomia. Eh, e sem dúvidas nenhuma me direcionou muito quem eu sou e também a profissional que eu me tornei.
É, eu acho que na verdade tudo que a gente faz hoje, eu digo por mim, pelo menos, tudo que eu faço hoje é reflexo do que a gente viveu na infância. Então, o adulto que a gente é hoje diz muito sobre a criança que a gente já foi. >> E então, respondendo sua pergunta assim de forma muito prática, sim, tudo.
>> O que que você acha que te influenciou? Ah, então eu eh sempre tive pais muito atenciosos, sempre me instruíram muito bem, né? Então esse privilégio eu tive e isso vale vale muito, isso vale ouro, né?
E então assim, eu acho que essa busca pela independência eh é uma coisa que eu trago muito também do berço. Então, meu pai, ele sempre foi um cara assim bem mais eh se a gente for ver na da forma mais antiga e tradicional, né? Ele sempre foi mais a mãe e a minha mãe sempre foi mais o pai, né?
No sentido de minha mãe sempre que me jogou mais pro mundo e o meu pai sempre que que me deu deu o colo, né? Então, eu sempre tive o equilíbrio muito forte assim dos dois e e essa busca por independência veio muito da parte por parte da minha mãe, mas eh nunca senti falta também de colo, de carinho. Então eu não sei também se eu sou a melhor referência para falar sobre isso, porque eu tive um privilégio muito grande de ter pais que realmente foram pais, né?
Uhum. Então, eu me considero hoje eh resolvido em várias questões por causa de dessa boa estrutura que eu tive de educação mesmo, né? Dúvida, sem dúvida.
>> Agora, uma curiosidade, eh, se a gente pegar, por exemplo, um filme famoso da Pixar, que é o é da Pixar, se não tiver enganado, que é o Divertidamente >> Uhum. Eu tiveramente, ele me parece ser um bom caso, bem didático das emoções. Então ali tem a alegria, tem a tristeza, tem a nojinho, tem o raiva e assim por diante.
Vocês entendem que um filme tão lúdico quanto esse, fazer uma conexão com o que Andreia perguntou, é nas nossas casas, com os nossos pais, nossos irmãos e o nosso dia a dia, a gente é levado a guardar, a esconder as emoções por conta do que se espera da gente. Ou seus pais, por exemplo, que que pelo que você tá trazendo aqui pra gente, eles tiveram uma consciência tamanha que te prepararam para esse mundo que você vive hoje. Mas você consegue também até hoje lidar bem com essas emoções?
Eu acho que o fato da gente esconder algumas questões dos pais na infância é não é uma não é uma coisa que tá exclusivo somente para quem tem pais que que são muito controladores ou não. Eu acho que é uma é uma é uma coisa geral. Então sempre vai ter independente da idade, da classe, enfim, sempre vão ter jovens escondendo coisas dos dos seus dos seus responsáveis.
É, eu acho que isso é uma coisa que é regra assim. né? E e mas eu sempre me senti muito segura, assim, eu sempre >> hoje você liga para eles, por exemplo, quando você tá com uma dificuldade?
>> Não, a gente a gente almoça junto, a gente janta e a gente sempre troca sobre essas coisas. E eu sempre tive esse apoio, assim, mesmo mesmo depois de um pouco mais velho, não que eu seja muito velho, mas mesmo depois de mais velho, eu sempre ti, é impressionante. Eu sempre tive esse apoio familiar assim.
E isso, ao contrário do que muita gente pensa, né? Aí vai ter gente que vai falar: "Ah, eu não tive esse apoio dos meus pais, isso me tornou forte". Mas eu tive esse apoio dos meus pais e isso me tornou muito forte também para lidar, principalmente comigo mesmo, porque >> que é um bom ponto de vista, >> que é um bom ponto de vista, porque é uma quebra de paradigma mesmo, né?
o meu maior problema, quer dizer, o meu não, acredito que o maior, o maior problema de de todo mundo não é lidar com o mundo, é lidar consigo mesmo. Então, eh o fato de eu ter tido todo esse apoio e essa estrutura me permitiu com que eu conseguisse estar numa zona segura, num ambiente seguro, para eu conseguir olhar para mim, porque tem gente que não tem esse privilégio, não consegue fazer isso, né? Tem gente que tá muito preocupado em agradar os pais, em agradar o que o que se espera da, né, da das expectativas que foram colocadas na pessoa ali, no jovem, na criança.
E justamente para para atender essas expectativas, não consegue atender as próprias expectativas que ele tem dele mesmo. Então, não consegue eh se satisfazer da forma individual dele. É sempre pensando no outro.
>> E Jo, você trabalha com muito executivo, né? Você vê e e é impressionante você vê pessoa jovem com essa clareza, né? Você vê essa >> busca de coisas do passado mal resolvidas dentro da profissão, no mercado de trabalho.
Você consegue ver isso? Conta pra gente um pouco. >> Sem dúvidas, sem dúvidas.
Eh, eu hoje faço mentoria para executivos, executivas, profissionais que estão muitas vezes em transição de carreira, porque iniciaram uma carreira por um estímulo dentro das famílias, por uma expectativa dentro de casa e que tiveram que depois, né, eh, parar para olhar, falar: "Não, eu tô frustrado. O sentimento que eu tenho hoje não é de realização. É, talvez seja de ter realizado o sonho de um pai, de uma mãe, mas o próprio indivíduo ali, o homem ou a mulher, tá buscando além.
Então, normalmente a gente começa através do processo de autoconhecimento, que é a pessoa entender, né, quais são os seus valores, quais seus principais talentos, se sentir à vontade para usar esses talentos a favor de alguém ou de algo. E o que vai trazer satisfação para essa pessoa, com certeza vai ser aquilo que ela vai performar melhor. E às vezes é um profissional que tá ali batendo cabeça, tá tentando encontrar um caminho dentro de uma carreira que foi desenhada para ele, mas que não era o que ele queria.
E aí isso leva a uma performance muitas vezes até mais baixa. >> Você sabe que eu escutei já mais de uma vez de pessoas que eu demiti que me disseram assim: "Você mudou a minha vida porque no final você conseguiu ver através do meu desempenho, porque no final é essa a ferramenta que a gente tem dentro das empresas de que aquilo não era para mim, >> de que era um outro caminho que eu precisava, né? Então eu acho que a gente realmente às vezes a vida dá uns bacs na gente pra gente falar: "Epa, será que é por aqui mesmo que eu tenho que ir?
Será que esse o caminho? Por que que eu tô fazendo isso? " Não é porque a história do automático, né?
O a quantidade de coisas na vida que a gente faz no automático ou porque precisa também e tudo bem, né? porque tem que entrar rápido no mercado de trabalho, porque tem que começar a gerar renda, porque casa, porque tem filho. E aí a gente começa também cada vez mais criar as nossas algemas, que ao longo da vida, nossos véus, aí a gente vai ao longo da vida tendo, né, esse papel.
>> Mas eu tô pensando, será que para eles naquele momento isso é claro, Jo? quando eles chegam para você, ou seja, eles têm clareza daquelas emoções, o que que eles estão sentindo de fato ou que eles gostariam de sentir ou que eles escondem, que eles não podem mostrar que eles estão sentindo ou não? >> Cada indivíduo é um, né?
Então tem pessoas que chegam e durante a primeira sessão de mentoria choram muito. >> Chora. chora porque tá ali porque não se sente mais reconhecida dentro do trabalho, porque a promoção que foi planejada não aconteceu, ou porque tá vivendo um luto, decidiu mudar de carreira e abandonar aquilo que foi construído por tanto tempo, é um luto, né?
Então, tem gente que chega já com aquela visão muito clara, tem outros que não, que buscam porque querem fazer uma transição, mas que ainda não sabem exatamente o que estão buscando. E aí a gente usa de ferramentas para, né, para trazer esse autoconhecimento. Apesar de ser psicóloga, eu não faço, né, desse processo uma sessão terapêutica em si.
é uma mentoria mais voltada paraa carreira, mas a gente entra com ferramentas de autoconhecimento e assessment para pessoa poder entrar em contato com aquilo, porque é faz parte dela, o sentimento faz parte. >> Sim. É o que me ocorre é tem um vídeo que viralizou bastante da Andreia, que é o não sangre em tanque de tubarões.
E sangrar em tanque de tubarões é demonstrar uma emoção, né? >> Sim, sim. >> Eu acho que eles se blindam disso, >> não tem uma blindagem disso?
>> Sim, sim. Eh, quando a gente pensa em mostrar a sua vulnerabilidade até dentro, né, de do mercado de trabalho ou quais são os ambientes que eu posso de fato me mostrar vulnerável, porque quando a gente olha, acho que paraas gerações que estão iniciando no mercado de trabalho, existe uma maior expectativa de saber quais são as vulnerabilidades do meu gestor, né, e até talvez um pouco mais de abertura para mostrar suas próprias vulnerabilidades. Mas a gente que tá ali, é, eu tenho 25 anos dentro do mundo corporativo e nesses 25 anos, por muito tempo, a gente não falava de sentimento.
>> Eh, por muito tempo a gente escondia, porque se as pessoas soubessem da minha vida pessoal, inclusive, eh, eu poderia me tornar mais vulnerável. E isso eh trazendo a minha própria experiência, eu fui me tornando uma pessoa eh diferente ao longo desses 25 anos, porque quando eu comecei lá atrás como estagiária na Natura, eh eu vivia de uma forma muito engessada e não mostrar os meus sentimentos e não deixar as pessoas conhecerem a Joice no lado pessoal. E aí, ao passar do tempo, eu fui me permitindo mostrar mais quem eu era, abrir mais a minha vida pessoal, os meus sentimentos.
Eh, mas ainda assim, sabendo se eu tô dentro de um tanque de tubarões, porque >> não acho que dá pra gente se expor em todos os ambientes. >> Nesse ponto, nesse nível, >> é porque eu acho que o sangue, o não sangue no tanque de tubarões e que para mim a minha crítica um pouco a história da trabalha lá da Brunal da Vulnerabilidade que é é ótimo você entender suas vulnerabilidades, mas o contexto importa. O contexto importa para que você tenha, porque você não pode abrir suas vulnerabilidades para qualquer pessoa, >> né?
Então, efetivamente você é importante você entender, né, ter clareza delas, mas você precisa assim ser cauteloso no mundo onde você ainda é cobrado por performance, ainda é cobrado por como você se posiciona, ainda é cobrado por isso. Um dia tudo isso mudará, mas eh e eu acho que é a história do do do dos temas mercadológicos que vão se criando ao longo do tempo e que você vive essa dualidade. Então, eu vou no trabalho, sou cobrado por performance, por desempenho, por competência.
Do outro lado, tô lendo um livro que fale: "Seja vulnerável e a vida [risadas] vai abrir todas as portas para você. Vai lá, chora na mesa do teu chefe, diz que >> a vida não é assim, né? " né?
Então eu acho que a gente tem que, o nosso desafio como profissional e como ser humano é a gente lidar com isso e saber e de repente essa geração do Paulinho aqui tá um pouco mais aberta a isso e talvez quebre paradigmas e no futuro a gente vai conseguir ser mais vulnerável. Você sente isso que as pessoas hoje conseguem tade se expor? Então, uma palavrinha que vocês estão usando eh desde que começou que eu reparei, que é autoconhecimento.
É, >> essa palavra é muito importante. Eh, e não tem como você eh ter esse autoconhecimento se você também não se permite conhecer suas próprias vulnerabilidades, entendeu? E dentro às vezes de um ambiente que você não é permitido mostrar isso, como que você vai se conhecer?
Não tem como. A chave é o autoconhecimento, mas como que você vai desenvolver isso se você nunca teve oportunidade? E aí o ambiente profissional, claro que influencia nisso.
Aí você falou que a teoria é uma coisa, né? Às vezes eu aquiô tô aqui lendo um livro, falando: "Ah, seja vulnerável, tal, mas a vida real mostra outra e mostra uma uma uma outra coisa". Sim, eu acho que que é o que você falou, tudo são contextos.
A gente não pode também demonstrar vulnerabilidade para todo mundo, mas isso não é culpa só do ambiente de trabalho, é em qualquer relação. Tem pessoas que você não pode demonstrar sua vulnerabilidade porque, desculpa o termo, são pessoas >> que vão te ferrar. >> É, são, né?
Então assim, >> eh, eu acho que isso não se restringe só ao mundo profissional, isso se se isso se amplia em várias questões. >> E aí onde você encontra, aí você vai, com o tempo vai passando, você vai encontrando os ambientes em que você pode, né? Sim, >> pode se se mostrar uma pessoa mais frágil e tal.
E isso é muito importante. Às vezes você tem esse ambiente dentro de casa, às vezes não. Às vezes vocêum >> você tem esse ambiente você tem esse ambiente com alguma pessoa específico e é nela que você se apega.
É, >> só que mais importante que isso, que eu vejo pelo menos eh eu não sei se eu eu não sei se eu já deixei claro isso para vocês, né, que eu conheço vocês faz tempo, mas eu sou eu sou uma pessoa bem religiosa. Eh, e eu aprend eu eu aprendi muito que você encontra muitas respostas, na verdade dentro, né? E e como só através do silêncio.
Então não tem como você >> se conhecer, desenvolver esse autoconhecimento se você não souber entrar no silêncio primeiro. Só que é muito difícil entrar no silêncio num mundo muito barulhento. Então toda hora a gente a gente tá sendo estimulado e esse é esse é um grande problema.
Então a gente tá o tempo inteiro sendo motivado >> a fazer coisas que vão contra o nosso próprio encontro consigo mesmo, >> entendeu? E aí isso gera muitas, muitas fragilidades, inclusive emocionais, porque se uma coisa é você ter a sua fragilidade emocional de uma maneira natural como todo mundo tem. Só que o problema é que isso se agrava ainda mais quando o tempo passa, a idade vai passando, você vai ficando mais velho, só que você não amadurece com o tempo.
Você vai ficando mais velho, só que você não vai amadurecendo com a sua velice. Porque você não é convidado >> por ninguém >> a a se olhar, entendeu? Enquanto você não se convida a isso, >> a coisa você não cresce, entendeu?
Essa é a minha percepção, pelo menos. E acho que isso vai de encontro com esse autoconhecimento que a gente tá falando. >> É.
E o mundo lá fora gritando outra coisa para você, né? Porque essa história do do o silêncio de um lado e o mundo gritando para você, coisas que nem sempre são verdades sobre você, mas você começa a acreditar naquilo, você começa a acreditar que você é boa por performance, você, eu, eu, eu tenho uma relação minha com a performance, porque performance sempre teve muito presente na minha vida e sempre vai continuar porque gera dopamina, a performance gera dopamina e a dopamina te alimenta e você vai seguindo porque é performance. Mas quem é Andreia além do que ela entrega como fazer, né?
E isso veio muito no meu papel de líder, no meu papel de mãe, no meu papel de relação com o mundo, porque a performance tá ali, é bonita, eu gosto de entregar as coisas porque até efeitos neurológicos também, mas e porque tem coisas da infância, de do que você precisa ser e entregar. Agora, por outro lado, assim, quem é quem somos nós além de tudo isso, desse papel que a gente faz e tem que realizar e tem que fazer? Essa é a pergunta.
Sim. >> Não, só pegando o gancho, né, pelo que a gente tá falando dos papéis também, eh, e dentro do mundo corporativo, eh, muitas vezes a gente precisa anular alguns papéis para você ser aquele profissional de alta performance e o profissional reconhecido. >> Eh, eu tenho uma cliente em mentoria que ela tá passando por uma situação super delicada eh de aborto.
Eu trabalho bastante com mulheres também nessa questão da maternidade, porque eu fiz uma transição na minha carreira em função da minha maternidade. E essa cliente, ela tava num processo de de eh tratamento para engravidar e ela engravidou, ela não contou na empresa porque ela tinha receio de que ela ficasse com o trabalho dela em risco e fosse julgada de alguma forma. E aí quando ela engravidou, eh, ela tava numa expectativa, sentimentos positivos, né, mas ao mesmo tempo ansiedade e ela passou por um aborto e ela preferiu não falar dentro da empresa.
Então, ela abriu mão de alguns direitos até trabalhistas que ela tinha para ela se tratar emocionalmente, fisicamente, >> para não se expor. >> Para não se expor. Então, o sentimento, que acho que é um dos temas que a gente vem falando muito, o sentimento dela foi para baixo do tapete, ela teve que engolir aquilo e de alguma forma isso vai ser cobrado lá na frente, eu acredito, >> né?
Mas para ser uma boa profissional de performance diferenciada, ela não se mostrou vulnerável a esse ponto. E a gente tá falando hoje, né, no momento que a gente tá de tanto espaço, de tantas conversas abertas acontecendo, as empresas estão ainda vivendo um modelo que cobra esse tipo de >> Olha que coisa louca. Eu participei de um grupo de network lá lá em Miami e era um grupo de executivos.
E aí lá na frente a menina que tava uma das sócias do grupo e ela foi fazer a apresentação dela e lotada a sala ela fazendo a apresentação dela. Quando ela começou a fazer a apresentação dela, a história dela foi exatamente essa. Ela ela começou a contar que o trabalho é tão importante para ela que ela perdeu um bebê e que ela à tarde foi numa reunião e ela tava contando aquilo como uma coisa se vangloriando assim de que o quanto o trabalho é importante para ela.
E eu na hora que eu olhei, eu falei: "Gente, como a gente pode primeiro assim, primeiro ela abrir isso com aquela com aquele propósito, né, de trazer um propósito de que eu sou uma orcaholic, gente. Então, entrem nesse grupo de networking, porque eu sou essa pessoa, uma pessoa sênor, uma uma mulher acho que de uns 40 anos. E aí eu fiquei tão chocada assim que a minha me coisa foi, eu pensei assim, cara, como eu acolho essa mulher porque é uma menina doente, né?
doente emocionalmente ali >> e ela nem deve desconfiar disso, né? >> Nem desconfiar, toda bonita, poderosa, querendo contar ali, né? Que é aquela história do quanto que a gente se projeta com poder.
Eu falei, que que é aquilo, né? Ela tá querendo convencer o que aqui? Ninguém.
Eu saí de lá falando, gente, tudo errado, né? Tudo errado. Então, o quanto que a gente bota as nossas emoções mesmo para debaixo do tapete para poder performar?
É, é porque assim, né, na minha na minha percepção de mundo, eh, não é que a gente vive um um num mundo num planeta pautado muito pelo financeiro. Na verdade, a gente é pautado, a gente é movido, né, o ser humano, o corpo é movido por ah sexo, estômago e e dinheiro, né? Então, enquanto a gente se restringir a essas três coisinhas, a gente nunca vai de encontro com a nossa própria essência, porque a gente a gente tá sendo motivado a ir contra [roncando] nós mesmos.
Esse é o ponto. E até a gente perceber isso, tem que cair, tem que tombar, tem que machucar, tem que se machucar. E e assim, às vezes a vida vai dando sinais pra gente, na minha percepção, a vida vai nos encaminhando eh de frente com esse sofrimento que vai nos fazer crescer, mas a gente já logo foge para outra coisa.
Não, deixa eu disfarçar isso aqui com comida, com com sexo, com outra coisa, com vídeos, com rios, com rede social. Vou vou disfarçando, vou disfarçando. E aí chega uma hora que isso se torna insustentável e a gente vai viver num e a gente tá vai vivendo num mundo repleto de pessoas doentes, desequilibradas.
Porque >> olha quantos anos você tem. >> 21. >> Gente, ele é muito maduro.
>> E assim, como é que você lida com as pessoas da sua idade? Porque você não vê gente tão madura como você, assim nessa idade, certo? Então, essa essa é uma questão.
Eh, eu não eu não gosto muito de de pensar nisso porque na verdade eu naturalmente sempre tive amigos um pouco mais velhos, né? Eu sempre fui isso isso foi sempre uma coisa bem bem natural para mim. E eu nunca reparei, eu comecei a reparar agora com 20 anos.
Eu falei: "Nossa, a maior parte dos meus amigos são pessoas com com 40". falei, só que isso sempre foi normal para mim, só que eu nunca percebi. E e só que por outro lado eu tenho 21 anos, então eh eu também gosto de ser criança, eu gosto de ser jovem, eu gosto, faço minhas bagunças.
Então eu tenho meu meu grupo de amigos mais jovens e e naquele lugar ali é onde eu escolho ser vulnerável, é onde eu escolho ali ser criança, entendeu? Porque eu tr eu eu tenho essa essa esse lado que vocês estão conhecendo aqui, mas eh viver só nele também é muito chato. Então eu também é onde eu posso extravazar, entende?
Nesse meu outro grupo. Por outro lado, Rab, por outro lado, eu também não consigo conversar de certas coisas com esse grupo. Existe, entendeu?
>> Com um grupo mais jovem. Eu não consigo conversar sobre essas coisas que a gente tá falando aqui. >> É porque geralmente, imagina que é o que tá chamando a atenção da Andreia, que aos 21 anos não é exatamente por aí que a banda toca, né?
é mais curtição, é o estômago, é o dinheiro, é o sexo e é a diversão de maneira geral, né? >> É. É.
Não. E aí a pergunta que eu ia fazer para ele é: você acha que essa vocês teve essa cobrança dessa maturidade? Você acha que isso pode ter sido também alguma?
Porque a maturidade também pode ser uma cobrança, >> né? Seja por uma vida mais dura, que você tem que ser maduro muito cedo, seja porque as pessoas eh te reconhecem tanto por essa maturidade que você começa a se colocar nesse papel também. É, eh, na verdade foi, você assume, é, você assume.
>> Seu pai, seu pai e sua mãe que são bem instruídos pelo que você tá dizendo, te falava, você é um filho muito maduro, você fala: "Realmente, tá aí, eu sou maduro mesmo. " >> Então, é, é assim, eh, nunca faltou eh apoio psicológico, né? Para mim nunca faltou.
Agora, nem sempre eu fui colocado, na verdade, eu não fui colocado nessa posição. Eu sempre sempre eu só fui assim, entendeu? Na verdade, eu eh eu vou falar, eu sou assim hoje, mas quando eu [risadas] era mais criancinha, eu era insuportável.
A minha mãe me conta que eu ficava revoltado com coisas ridículas. Tipo, eu ia, eu ia, a gente parou num posto uma vez de gasolina numa viagem e eu tinha o quê? 10 anos, acho, nove.
E eu fiquei revoltado porque a moça do do caixa na hora de entrar, na verdade, né, na hora de entrar no posto, a gente recebe uma fichinha. E eu fiquei revoltado que todo mundo recebeu a ficha menos eu. E eu comecei a chorar de raiva, de ódio.
Eu falei: "Mas só porque eu sou criança, vocês não me respeitam? " Tipo, eu aí a minha mãe conta que foi uma infância tentando me entender, porque eu não, porque eu eu fal eu eu sempre falei e fiz coisas que uma criança daquela idade não não fazia, entende? P >> aconteceu mesmo, né?
Nem de >> É, mas por outro lado eu também sempre fui muito difícil de lidar, entendeu? Então, quando eu era para ser infantil, eu era bem infantil mesmo, fazia birra, coisa de criança. Nunca deixei de ser criança, mas eu sempre eu sempre vim com esse lado, mas também acho que muito por uma questão religiosa muito forte, minha família sempre foi muito religiosa.
>> Eh, não fervorosos, fanáticos assim, mas sempre sempre teve >> disciplinados. >> É, nesse sentido sempre teve a doutrina religiosa muito forte. A disciplina às vezes nem tanto, mas a doutrina, a doutrina religiosa sempre foi muito forte.
E aí isso isso me trouxe uma maturidade, talvez desde cedo por causa disso, mas e também porque os meus pais sempre me instruíram, então sempre foi, eu sempre sempre teve isso, né? Eu vou fazer um comentário pegando pelo seu gancho. Eh, agora como mãe, eu tento sempre quando meu filho tá passando por alguma situação como a que você viveu, eu tento parar, respirar junto com ele e nomear o que ele tá sentindo, porque muitas vezes é tão novo aquele sentimento que ele não sabe o que é.
E quantas vezes a gente, né, hoje já madura, eu não sei exatamente o que eu tô sentindo. Eu preciso parar para refletir e entender o que tá acontecendo comigo. Eh, tem uma, acho que vem da da do budismo que fala que até que você nomeie, primeiro você ter consciência, depois nomear aquele sentimento, ele vai te controlar, ele vai te dominar.
Então, a importância da gente dar nome exatamente para aquilo que a gente tá sentindo, eh, para que a gente possa compreender e lidar melhor com aquilo. E eu venho fazendo isso assim de uma forma muito prática no dia a dia, quando eu vejo que eh o Nicolas tá passando por alguma situação de estress ou sentimento, ou o garçom agora é assim, o garçom chega e vai servir eh meu prato vai servir o meu marido e não serve o dele. Ele fica olhando, ele chora.
Porque ele se sente, ele tem do anos. Ele tem dois anos. >> Dois anos, né?
Então a gente começou a perceber que ele quer esse esse espaço para ele também ser visto, >> né? >> E eu uma uma coisa, um adendo do que você tá falando. Eh, mais cedo, né?
Você falou sobre as as pessoas as pessoas chegam na tua no teu espaço lá que você tem e choram, né? Começam a chorar. E aí é que tá.
Eu eu aí só que até você chegar nesse ponto, você precisa passar por alguns caminhos e um deles é justamente nomear o que você tá sentindo. Só que a gente ignora muito isso, né? E e eu acredito que você só realmente eh eh avança um degrau depois que você aprende a chorar.
Então, aprender a chorar é uma coisa que te torna muito forte, na minha visão. Eh, as, eu, eu vejo que as pessoas pensam muito que, eh, vou demonstrar que eu sou forte, então não vou chorar. Só que eu vejo que a pessoa ela demonstra toda a força que ela tem através das lágrimas, quando ela tem coragem o suficiente para demonstrar aquela vulnerabilidade, aquela fragilidade.
E isso é coragem. Na minha na minha concepção, coragem é isso. Quando você é forte o suficiente para mostrar que você é frágil >> e você convida a outra pessoa a pensar: "Puta, eu eu sou frágil também".
A pessoa olha olha olha para você chorando, ela você pode inspirar alguém pelo simples choro, o simples ato de chorar, entendeu? Mas não é chorar por birra, não é chorar por, >> não. É um choro com significado.
É, >> é um choro, é um choro que, que carrega uma limpeza, carrega um, um a cura de um trauma, a cura de qualquer coisa. >> É, e ele chega, é uma limpeza e ele chega numa consciência também, né? Porque você vai na se deixando sofrer para chegar na consciência, porque que aquilo tá te fazendo mal, porque precisa desistir esse espaço.
E tem uma coisa curiosa que assim, a gente, nós que somos muito práticos, né, a gente tenta resolver, né? E eu comecei a perceber isso porque eu falei, eu já tenho problema, a minha cabeça automaticamente vai para tentar resolver meu problema. E eu falei assim, tem um espaço entre o problema e a resolução que precisa ser vivido, né?
E é muito engraçado porque eu e meu marido a gente é super prático assim, né? E quando um conta um problema pro outro, o outro na mesma hora vem com a resposta para resolver. E aí a gente começou, eu comecei principalmente a falar para ele assim: "Eu não quero a solução, eu sei a solução, eu quero só que você me escute, eu quero que só que se você que a gente converse o meu problema de vida o que a gente tá sentindo agora, não vem com a solução, tá bom?
A solução eu vou pensar lá na frente, eu vou chegar nela, fica tranquilo. " E agora ele agora quando a gente começa a conversar, ele pergunta assim para mim: "Você quer uma ajuda? " Eu [risadas] falo: "Ah, tá bom, pode me dizer o que você pensa, mas ajuda eu venho é que às vezes a gente quer conversar com outro >> é simplesmente paraar, para desabafar.
>> E nós que somos pessoas muito práticas, consultores e direto e sabemos respostas de muita coisa, a gente vai direto pra solução. Pai faz isso, mãe faz isso. Sim.
>> E às vezes a pessoa não tá querendo a solução ali. Calma lá. >> É, é, né?
>> Só quer um ouvido, né? >> Ela só quer buscar isso. [roncando] >> E isso para muita gente mostra sinal de fraqueza.
E e é muito interessante isso que você tá falando, porque eh às vezes a gente vê um monte de gente por aí na internet, os gurus, né, e tal, e até fora da internet também cheio de soluções nas mãos, cheio de de respostas, né? Inclusive até até por parte da própria religião também, cheio de respostas, >> só que a religião e outras >> eh denominações começam primeiro dentro, entendeu? Então, eh não é sobre a resposta que alguém vai te dar.
É sobre só você sentir aquilo ali na hora, entendeu? E a partir daquilo você se sente mais leve para ir pra solução que você vai chegar querendo ou não. A solução você sabe, você sabe aonde você, porque a gente é educado desde criança a chegar na solução do problema.
Então você vai chegar sofrendo ou não, sendo prático ou não, você vai chegar na solução. Não é esse o ponto, não é sobre a solução, é sobre tornar esse caminho mais leve, entendeu? Só que você torna mais leve se permitindo às vezes sentir aquilo, né?
E acho que até eh pensando em autoconhecimento, eh autoinvestimento também, porque às vezes sozinho não é possível, às vezes dentro da sua própria casa não tem esse apoio. >> Uhum. Então, buscar recursos fora é um caminho também e que muitas vezes as pessoas sentem dificuldade porque não se sentem eh abertas para passar por isso ou não tem a humildade de pedir essa ajuda.
Então, existem formas de passar por esse processo com menos sofrimento. O autoconhecimento, ele pode ser sim eh uma uma jornada vivida dentro da terapia com psicólogos, mas ele pode passar por um processo de mentoria, de coaching, ele pode vir através de uma leitura, ele pode vir através de um filme que te tocou e te fez ali. Tem sites tão profundos, né?
Uma música, então tem muitos recursos. Eh, o que sinto hoje é que às vezes a gente entra tanto dentro de um de um automatismo que às vezes até estimulado pela rede social e a gente fica ali nos rios e tudo isso e para de pensar >> e às vezes para de sentir, que eu acho que é mais perigoso. >> Parar de sentir é perigoso, né?
>> É >> porque tem a ver com o reconhecimento, né? Deixa de ter a humanizar a relação, né? Vocês acreditam que, só para não perder esse ponto, que eu acho que é bem importante para quem tá acompanhando a gente, que reconhecer o sentimento, ele é tão importante quanto tomar a decisão?
Ou seja, eu tomo a decisão muito consciente do que eu tô sentindo. >> Sem dúvidas, sem dúvidas, porque uma decisão tomada eh pode ser muito equivocada se você não tiver consciência do que você tá sentindo, né? E a gente é levado a isso, a tomar uma decisão muito rápida e e não para para digerir.
Quantas vezes a gente tá vivendo, tá comendo sem saber o que você tá comendo. >> É >> que que você comeu hoje no café da manhã? Nossa, nem lembro.
Porque você já tá pensando no que que você vai fazer daqui a pouco, né? Então, entrar em contato com esse sentimento e poder tomar uma decisão com base no que você realmente quer, no que você tá pensando ou às vezes externalizar isso, digerir primeiro, >> é, >> você vai ter mais assertividade, né? >> Hoje falando de carreira, que é um dos temas que eu abordo muito, a gente para para tomar uma decisão pensada.
A gente precisa planejar essa carreira. Não dá para seguir fazendo as coisas no impulso ou deixando que seu chefe decida por você. >> É >> se apropriar da sua carreira, colocar isso dentro de eh um planejamento que você vai guiar é muito importante, mas primeiro você precisa se reconhecer, entender seu sentimento, se fortalecer para fazer isso, né?
Então eu acho que tá >> é não buscar no no externo, né? Isso. >> Principalmente aquilo que tem que ser seu.
>> Sim, >> porque tem muita gente que procura num emprego, procura num relacionamento, procura no aquilo que é dela. É que tem que est preparada pr aquilo. Ela que tem que encher o potinho dela para depois trazer o outro para complementar aquilo e não ficar buscando no outro aquilo que falta nela, que esse é o grande problema das relações, o grande problema da das pessoas que estão dentro do mundo corporativo, que acha, ah, o meu chefe não me reconhece e você se reconhece [risadas] e você se valoriza e você entende qual o seu lugar.
Porque se você tá achando que você tem clareza disso e tá no lugar errado, aí você vai para outro lugar. Mas esperar dele todo dia que o cara bate nas tuas costas e diga: "Ai, que trabalho lindo que você fez Andreia, porque você não consegue se ver nisso, você não vai ter. " >> Uhum.
>> E aí você cobra do outro, cobra do relacionamento, cobra, né? >> E se frustra, né? Gera um processo profundo de frustração.
>> Sim. >> Porque ela terceirizou para o outro aquilo que deveria partir do interior dela. >> Sim.
>> Como se a felicidade fosse um dom exterior. Na verdade, ela nasce dentro. Sim, >> exatamente isso.
>> Sabe que na minha transição de carreira, né, eu tava num numa multinacional, tava no cargo de diretora de RH, eh, e eu tinha 16 países. Com a chegada do Nícolas, a minha prioridade mudou. Eu precisava mais tempo para para cuidar da minha família, meus valores mudaram.
E aí eu, nesse momento de decisão do que aconteceria, eu sofri muito. Eu sofri por quê? Eu via que eu tava talvez deixando uma trajetória de 25 anos de RH, uma carreira que eu construí para fazer o quê?
E aí parar foi o mais importante, porque eu entendi que eu tava vivendo um luto. Era um luto que eu tava vivendo de um ciclo que eu tava ali encerrando, mas eu não tava deixando para trás tudo que eu tinha construído, porque eu ia levar comigo, eu só ia entregar de uma outra forma, mas estaria comigo. Então eu precisei entender e fazer esse processo de autoanálise de cura, até porque o luto ele ocorreu, eu vivi, essa transição, ela existiu para eu chegar onde eu t hoje, eu tô hoje.
Então, o luto ele ele foi sofrido, o sentimento veio, eh tive meus momentos de questionamento e aí vivenciando isso, olhando para esses sentimentos, nomeando esses sentimentos, eh expondo nos ambientes que eu me sentia segura, eu consegui fazer essa transição para falar: "Bom, hoje eu tenho essa bagagem, só que eu entrego ela de uma forma diferente e eu consigo organizar a minha agenda de uma maneira que eu posso levar meu filho na escola, posso buscar meu filho na escola, E ele vai dançar a festa junina. Então eu levei ele hoje pra escola todo bonitinho, com chapéu de palha. Se eu tivesse talvez na minha função anterior, eu não ia participar.
>> E cara, olha, olha que coisa maravilhosa. Eu a maternidade, a paternidade realmente tem o poder de mudar completamente a vida, né? >> Você não vai me falar agora que já tem três filhos, né?
Não vou dizer é [risadas] que eu eu gravo, eu eu não ouço podcast no Spotify, nem no Dieser, nem nada, porque eu gravo podcast todo dia, então se eu ouvir mais podcast, eu fico maluco. Mas o que eu ouço de todos os podcasts que eu gravo é é exatamente essa frase que você falou, levar meu filho na escola. >> Sim.
Olha que coisa simples. Eu tô levando meu filho na escola e como isso me traz felicidade e não é nada extraordinário. >> Não quer dizer, é só que não é aos olhos do mundo materialista, tal.
Levar o o filho na escola é o quê? Ah, tá levando o filho na escola porque porque o adulto precisa trabalhar, então ele vai levar na escola. É o que o mundo vê.
É >> só que a visão de uma mãe é completamente diferente, tô levando meu filho na escola aqui. Eu não sei explicar o que é porque eu não sou mãe nem pai, mas cara, >> uma expressão, não sei se você como mulher e escutou, mas enquanto no mundo corporativo, eu ouvi às vezes falarem, ainda não era mãe, ouviu falar: "Ah, não, aquela mãe que leva o filho na escola de roupa de academia, >> de roupa de ginástica, né? e saía de casa já pronta para ir pro pro trabalho.
É, e hoje em dia olho, eu falo: "Ai, que bom, eu vou levar meu filhinho na escola, depois eu vou passar, vou fazer minha academia, então eu vou de roupa de academia e eu tô sendo essa mãe que continuo trabalhando, que continuo tendo uma agenda, que às vezes eu vou trabalhar até tarde, é, mas eu tenho flexibilidade e eu consigo encaixar, levar meu filho na escola com a roupa da academia, faço minha atividade física, cuido da minha saúde porque eu quero viver meus 40 anos, estando presente para ele e sendo um exemplo da profissional que eu sou também. O problema hoje, Andreia e LG, que eu percebo é que eh na minha geração, eu vejo isso, né? É que a gente quer ser extremamente feliz o tempo inteiro, >> entendeu?
E a felicidade tá numas coisas tão simples, tão >> E a vida é dura, né, meu amigo? A vida é dura, né? >> É, >> a vida é dura.
Inclusive no nosso episódio também, né, André? >> Que já acabou também, André, >> gente, não é possível. Ó lá, 45 minutos, >> já deu tempo.
Você que tá acostumado a gravar aqui, qual é a sensação, a emoção de tá aqui empolgado para falar? dos seus três filhos que você vai ter um dia e acabou o tempo. >> Posso falar?
>> Eu sempre tive atrás das câmeras, mas recentemente eu tenho sentido muita vontade de ir pra frente das câmeras. Então eu fiz eu fiz um drama para vir para cá, mas eu adorei o convite. >> A muito bom.
E agora para terminar, assim, foi muito rico esse episódio, cheio de coisas assim, muito interessantes, eu queria que vocês dessem um conselho pra geração de vocês que tá aqui escutando, que tá aí com esses conflitos, tá tendo dificuldade de ser vulnerável, dificuldade de ter coragem, dificuldade de buscar essa felicidade, fala para eles, olha pra câmera aí e fala para eles o que que você deixa aqui de mensagem final aqui do seu eh >> da sua visita aqui pra gente. Enjoy the journey. >> Hum.
>> Ah, >> curta a jornada. Eh, eu acho que o que a gente pode aproveitar muito dessa vida é vivê-la. Vivê-la de fato, senti-la.
Então, ter consciência do que eh a gente tá vivendo, do que a gente tá fazendo, do que a gente tá comendo, de quem a gente tá conversando, escutar. Tem uma escutativa, né? por intenção no que a gente tá fazendo.
Então, eh, curtir a jornada é algo que, eh, com certeza vai ajudar chegar lá no final e olhar e falar: "Poxa, pelo menos eu aproveitei, estive aqui e aproveitei". >> Valeu a pena. >> Valeu a pena.
>> Muito bem. E aí, >> o conselho é pr é pra minha geração mesmo. >> É, >> tá.
Eh, uma frase que eu ouvi uma vez, eu nunca mais esqueci. Eh, não peças aprovação do mundo pobre e enganado. Recorda que o mundo vão é grande, necessitado.
Então, posso falar palavrão? [roncando] a opinião do teu amigo e da tua amiga. Ele tem a mesma idade que você.
Ele não construiu nada ainda tão bem igual você. ou se construiu, é um problema dele. Você tá na tua jornada, a jornada é dele, a jornada é cada um tem o teu, tem o teu caminho, tem tem a tua história, tem a sua bagagem que traz.
Então não dá para e não se compare. Esse é o ponto. Não dá para comparar a tua vida com a da outra pessoa.
Independente do teu ponto de partida ou do ponto de partida dela, isso não interessa. Apenas viva a tua vida do jeitinho que seja coerente com o teu próprio coração. >> Uhu!
Gostou, André? >> Ô, adorei, adorei. >> Muito legal.
Então, ó, quem ficou aqui até o final, curta nosso episódio, comenta, compartilhe. Esse cara aqui grava a gente desde o início. Então, peça pra galera dar um like aí.
Peça aí, Fariz. Dá um like aí, >> pô. Dá um like aí.
Dá um like aí e [risadas] compartilha o nosso vídeo. A gente se vê no próximo. Tchau.
>> Uhu!
