Andrea Eboli
O ativo principal

O currículo ainda representa quem sou profissionalmente?

Talvez você tenha atualizado o currículo há pouco e sentido que aquele documento não diz quase nada sobre a pessoa que você se tornou. Cargos, cursos e datas estão lá, mas o que faz você ser você continua de fora.

Resposta direta

O currículo representa o que você tem, não quem você é. Ele registra skills técnicos e trajetória formal, mas o que diferencia uma pessoa hoje é a individualidade, e isso só aparece na forma como ela se comunica, se posiciona e se revela fora do papel.

No episódio, todos concordam num ponto: o currículo não morreu, mas encolheu. Ele ainda abre portas em posições de entrada e em processos padronizados, só que captura apenas a parte técnica da experiência. Como diz Pedro, o currículo é uma espécie de isca. Ele diz o que você fez, não quem você é.

Essa distância é exatamente o território da tese. O currículo é a linguagem do Ter Poder: a potência amarrada a cargos, títulos e conquistas que você precisa manter para ser reconhecido. O que não cabe no papel é o terreno do Ser Poder, a potência que não depende daquilo que você acumulou para que você reconheça quem é.

O grande barato da vida é a gente conseguir estar no coletivo sem perder a nossa individualidade.

A pergunta prática não é se você deve abandonar o currículo. É o que de você sobrevive quando o papel não está na mesa. Se a resposta for pouca coisa, o trabalho não é no documento. É na identidade.