O que a pesquisa com 400 pessoas revela sobre o poder que entregamos sem perceber
Nesta conversa na Panorama VIP, Andrea Eboli apresenta a pesquisa que originou seu estudo sobre poder consciente: por que tantas pessoas entregam o próprio poder a cargos, relações e conquistas, e se destroem quando perdem essas referências. Ela explica o movimento do pêndulo entre buscar mais e tentar se curar, e apresenta os três pilares que ajudam alguém a reconhecer o poder interno.
Resposta direta
Em uma pesquisa com mais de 400 pessoas, apenas 8% reconheciam que o poder era delas: quase todas o localizavam em algo externo. Poder consciente é puxar esse poder de volta para si, sem entregá-lo às pessoas nem às situações.
Principais aprendizados
O que fica desta conversa
- Na pesquisa com mais de 400 pessoas, só 8% diziam sentir que o poder era delas. Quase todas o colocavam em algo ou alguém de fora.
- Aprendemos, desde cedo, a entregar o poder interno a cargos, casamentos, filhos e reconhecimento. Isso tem raízes culturais e sociais.
- Quando o que temos não nos satisfaz, tendemos a insistir: trabalhar mais, dedicar mais ao casamento, buscar mais felicidade onde ela não está.
- Andrea nomeia esse movimento de pêndulo: de um lado, entregar cada vez mais poder; do outro, tentar se curar da exaustão que isso gera.
- O poder consciente não está em nenhum dos extremos. Está no meio: em como você lida com essas forças e age dentro do cenário da vida.
- Ter casamento, trabalho e ambição não é o problema. O problema é não saber quem você é dentro desses papéis e virar refém deles.
- Três pilares aproximam alguém do próprio poder: identidade (quem você é no mundo), contexto (o cenário em que você está) e ação (agir a partir dos dois).
Perguntas frequentes
Por que eu conquistei tanto e ainda não me sinto realizado?
A realização não chega porque você colocou seu poder naquilo que tem, e não em quem você é. Quando a potência depende de conquistas externas, nenhuma conquista é suficiente: você segue buscando mais para preencher algo que só o reconhecimento interno preenche.
Ver pergunta completaPor que uma demissão ou separação me destrói por completo?
Uma perda destrói dessa forma quando você entregou seu poder ao cargo ou à relação. Se sua identidade estava sustentada por algo externo, a queda desse externo derruba junto o seu senso de valor. O que ruiu não foi você: foi o lugar onde você depositou quem pensava ser.
Ver pergunta completaPor que quanto mais eu me esforço, mais exausto e vazio eu fico?
Você se esgota porque vive num pêndulo: de um lado, entrega cada vez mais poder buscando satisfação; do outro, tenta se curar do cansaço que essa entrega gera. Os dois extremos mantêm você dependente deles, e por isso você sempre volta ao ponto de partida.
Ver pergunta completaMinhas escolhas são realmente minhas ou o ambiente que decide por mim?
Muitas escolhas não são suas: são respostas ao ambiente. Quando você melhora no trabalho para ser aceito, ou se dedica a um casamento para ser valorizado, quem está decidindo é o contexto, não você. A escolha volta a ser sua quando você sabe quem é dentro daquele cenário.
Ver pergunta completaComo começar a exercer o poder consciente na prática?
Comece por três pilares que a pesquisa de Andrea Eboli identificou nas pessoas que reconhecem o próprio poder: identidade (saber quem você é dentro do mundo), contexto (ler o cenário em que está) e ação (agir a partir dos dois). Sem os três juntos, o poder segue depositado fora de você.
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Transcrição
Andreia, é um prazer ter você aqui. Obrigada por nos atender. >> Obrigada, pelo menos.
Um prazer estar aqui com você. Andreia, o que que a gente pode falar do poder consciente? A gente tem poder sobre o consciente ou subconsciente, André?
[roncando] >> Então, vou contar um pouquinho da história do poder consciente, né? Eu acho que eu comecei a estudar isso há mais ou menos uns dois anos atrás, né? Então, a minha vida profissional sempre foi uma vida como executiva durante muitos anos.
E há mais ou menos 2 anos, 2 anos e meio atrás, eu comecei a me dedicar ao estudo, né, a fazer pesquisa, a conversar com as pessoas para poder entender que poder era esse que as pessoas entregavam tão facilmente, né? Então, o mundo profissional, principalmente, a gente vê muita gente que busca muita coisa, né? Então, busca tudo aquilo que elas imaginavam na vida, trabalho carreira eh filho família e não se sentem realizadas, né?
E aí, assim, que poder é esse, né? Da mesma forma que quando elas perdem um crachá, quando elas vão fazer eh são demitidas ou passam por um processo de separação, a vida delas é destruída, né? E a gente fala: "Que poder é esse?
Como é que foi entregue esse poder pro outro, né? para as coisas, porque durante a vida a gente aprende a viver eh dentro desse poder, né, num poder que é externo, um poder dado. >> Uhum.
>> E a minha pesquisa foi investigar isso, investigar esse poder. É verdade que as pessoas dão esse poder paraas coisas externas, que elas ficam limitadas a isso, que elas eh quando tem tão felizes, quando não tem se destróem, né? Que que o que é isso?
E aí foi aí que nasceu a minha pesquisa que eu fiz com mais de 400 pessoas. para poder entender como elas lidavam com esse poder externo. E foi a comprovação assim que realmente eh as pessoas davam esse poder e entendiam que elas não tinham poder.
É uma coisa muito louca assim, na pesquisa a gente perguntava se essas pessoas tinham quem elas sentiam que tinham poder, né? E sempre eram pessoas externas. somente 8% das 400 pessoas que foram respondidas, eh, que responderam a pesquisa disseram que esse poder, elas tinham esse poder.
Então, >> 8% é >> por que que é tão difícil a gente reconhecer quem nós somos, né, que e e a gente a gente costuma se afastar da nossa própria identidade, né? E como você falou, numa separação parece que eh você perdeu assim uma parte do corpo e o poder você já não tem sobre você mesmo ou quando você fica num trabalho e é demitido. Por que que a gente tem essa dificuldade?
A pesquisa te mostrou isso? mostrou, porque ao longo da vida o que acontece, Filó, é que a gente vai entregando a o nosso poder interno para as pessoas, paraas coisas, paraas relações. Isso tem várias aspectos eh culturais, sociais que a gente vai entregando ao longo da vida.
Então, quando a gente é pequeno e a pessoa fala: "Não, você tem que ter um bom casamento, você tem que ser independente financeiramente". Na hora que a gente começa a trazer isso pra gente, conscientemente, a gente vai dando esse poder para essas coisas. E aí o que vai acontecendo ao longo da vida é que o nosso objetivo fica entregar esse poder, né?
Então a gente vai buscando cada vez mais. Então, por exemplo, eu tô, eu tenho uma vida profissional que eu não tô muito feliz, que que eu faço? Trabalho mais para crescer mais, para ver se a felicidade chega.
Eu tenho um casamento, eu começo a me dedicar mais à aquele casamento que não tá me fazendo feliz para ver se a felicidade chega. E aí eu costumo dizer que a gente vive num pêndulo, né? Então a gente fica de um lado desse pêndulo dando, oferecendo, entregando isso cada vez mais, porque como não é suficiente aquele poder que a gente tá dando, a gente não tá se sentindo satisfeito, a gente vai dando mais, mais e aí a gente começa a ficar com consciência pesada, porque a gente dá pro filho, depois não dá pro trabalho, depois não dá pra família e aí a gente vai entregando mais.
E aí depois quando a gente vê que a gente tá numa estafa, a gente vai pro outro lado do pêndulo, que é tentar se curar. Então, a gente faz vários anos de terapia, a gente faz todas as práticas astrológicas e vão aparecendo por aí. A gente viaja para ver se na hora que a gente viaja a gente compensa um pouco isso, mas a gente volta para aquele lugar, né?
E aí é a melhor forma de entender o poder consciente, porque o poder consciente não tá lá nem tá cá, ele tá no meio, ele tá na hora que você diz: "O o meu poder não tá aqui e o meu poder também não tá aqui. O meu poder tá como eu lido com essas duas coisas e como eu ajo eh dentro desse contexto, desse cenário, que é o cenário da vida. A gente precisa trabalhar, a gente precisa ter filhos, a gente precisa tentar administrar tudo isso, mas é na hora que a gente puxa esse poder pra gente e por isso chama poder consciente, que é o poder consciente dizer: "O poder é meu, eu não vou entregar esse meu poder mais, nem paraas pessoas e nem paraas situações.
" >> Então assim, as nossas escolhas, quando a gente fala que eu faço escolhas, elas não são, tem muitas que não são realmente nossas, né? elas são influenciadas quando você falou e eu ten tô no emprego, então eu vou melhorar para Então você tá melhorando não para vocês, tá melhorando para que aquele aquele ambiente esteja aceito, te valorizem mais num relacionamento. Então você tá, que que eu posso fazer para melhorar esse casamento?
Mas não sou eu que tenho que melhorar. Então as escolhas não são nossas, elas são influenciadas pelo ambiente. É isso?
>> É. E eu costumo dizer que as escolhas são como véus, assim, imagina o seguinte, que você ao longo da vida vai ter que ter um casamento, você, né, para quem escolhe, você vai ter um trabalho e tá tudo bem com isso e tá tudo bem ser ambicioso e tá tudo bem buscar isso. A única coisa é que você tem que entender como é você dentro daquele lugar e não se refém disso.
Então eu costumo fazer uma uma brincadeira que assim, coloca os teus véus em cima de você e diz assim: "Ah, você quer ser uma boa profissional? Quero, quero ser uma boa mãe, quero. Quero ser uma boa amiga?
Quero. Tá bom, tudo bem. Só que tudo isso são papéis que você vai assumindo ao longo da vida e tá tudo certo, desde que você saiba quem é você dentro deles.
Então, um casamento, por exemplo, ah, eu tô numa relação, quando eu sei quem eu sou dentro daquela relação, eu não dou poder pro outro, porque eu tenho o meu poder. Eu entendo o meu potencial, eu entendo a minha força, eu entendo por que eu tô ali. E aí eu fico menos refém desse poder do outro.
E como é que eu consigo eh perceber tudo isso e e trabalhando para eu ter esse poder consciente? >> Então, na pesquisa, eu a minha tese, né, porque além da pesquisa, eu construí uma tese para ajudar as pessoas a chegarem nesse poder consciente. E na minha pesquisa, ela comprovou que as pessoas que tinham essas três coisas que eu vou falar agora, elas eram muito mais propensas a verem o poder interno delas.
9% só das pessoas que foram entrevistadas eh tinham isso e não conseguiam. Todas as outras diziam: "Eu entendo essas três eh essas três características, vamos dizer assim, consigo trabalhar com elas e consigo ver meu poder interno. " Vou te dizer as três.
A primeira identidade, né? Então é como eu sou, quem eu sou dentro do do mundo, né? Eu acho que é é diferente de eu olhar só para mim interno e dizer: "Ah, eu sou Andreia porque eu penso assim, porque quando a gente olha muito para dentro da gente, a gente também olha com os nossos traumas, com aquilo que a gente quer ver, né?
Então o a identidade, a busca pela identidade, é uma busca da minha identidade dentro do mundo. O que quem eu sou dentro do mundo, o que que o mundo vê da Andreia, né? Depois entender o contexto.
A gente precisa aprender o contexto que a gente tá inserido sempre. a gente precisa olhar pro contexto e falar: "E, esse é o cenário que eu tô vivendo, como eu, Andreia, com essa identidade me posiciono dentro desse contexto. " E a terceira é agir, né?
E eu preciso aprender a agir levando em consideração a minha identidade e o meu contexto. Porque também se eu só ficar me conhecendo e não agir, a minha as minhas relações e as coisas que eu quero botar no mundo não andam. Então, esses três pilares são, Filó, o o fundamento para que você comece a conhecer esse poder consciente, >> tá?
OK. Então, a gente podia conversar, nosso tempo tá encerrado, mas a gente pode conversar sobre isso para entender melhor e eu já deixo o convite aberto pra gente conversar mais vezes com a Andreia Éboli, que é pesquisadora, professora e fala, escreveu uma tese sobre esse poder consciente que muita gente não sabe. Confesso que eu fiquei curiosa com o tema e eu acho que a gente pode conversar outras vezes para você trazer outros aspectos, porque é muito importante para que as pessoas sabendo disso já é uma forma de pensar em mudanças.
Muito obrigada por hoje e até uma próxima. >> Obrigada, Filó. M.
