Andrea Eboli
17 de novembro de 2025·46 min

Liberdade ou limites? Como encontrar o equilíbrio na criação dos filhos e nas relações

Neste episódio do Gerações Cast, Andrea Eboli e LG conversam com Flávia e Bruna sobre o equilíbrio entre liberdade e limites na vida, nos relacionamentos e na criação dos filhos. A conversa atravessa o impacto das telas e redes sociais na infância, a divisão estratégica (e não só executiva) das tarefas no casal, e a importância do diálogo empático para construir combinados que mudam com o tempo.

Resposta direta

Liberdade e limites não são opostos, mas extremos de uma mesma linha que pedem equilíbrio e diálogo constante — seja na criação dos filhos ou nas relações de casal. O segredo não é escolher um lado, mas recalibrar a rota conforme cada momento da vida.

Principais aprendizados

Principais aprendizados

  • Liberdade e limites são dois extremos de uma mesma linha educativa: o desafio é não ficar nem no oito nem no oitenta, mas no equilíbrio.
  • Limite não precisa ser autoridade hierárquica ("é não porque é não"); a criança merece uma explicação que mostre cuidado e proteção.
  • As telas viciam e "apodrecem" o cérebro (brain rot); a recomendação do movimento Desconecta é celular só a partir dos 14 anos e redes sociais a partir dos 16.
  • O humano precisa de humano: relacionamentos quentes se constroem em conversas reais, como ao redor da mesa de jantar — o digital é frio.
  • Bons pais são bons líderes e bons líderes são bons pais: há momentos de pulso firme (autocrático) e momentos de diálogo (democrático).
  • Nas relações de casal, divida o estratégico e não só a execução — a carga mental invisível costuma recair sobre a mulher.
  • Dizer não liberta; conhecer seus talentos e necessidades ajuda a negociar papéis com mais leveza.
  • A relação não é estática: é preciso recalibrar a rota com diálogo empático e frequente, entendendo que combinados mudam com o tempo.
  • Escute seu corpo: dores, desconfortos e sinais físicos avisam quando você chegou a um limite.

Perguntas frequentes

Como equilibrar liberdade e limites na criação dos filhos?

O equilíbrio está em entender que liberdade e limites são dois extremos de uma mesma linha educativa: o objetivo não é ficar nem no oito nem no oitenta, mas dar autonomia dentro de um ambiente seguro e controlado, recalibrando conforme cada fase.

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A partir de que idade dar celular e redes sociais para os filhos?

O movimento Desconecta recomenda entregar celular à criança somente a partir dos 14 anos e liberar redes sociais apenas aos 16, defendendo uma infância sem tela para proteger o desenvolvimento e o cérebro.

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Por que dar limites aos filhos não significa impor autoridade?

Limite não precisa estar ligado a uma posição hierárquica de autoridade; a psicologia positiva propõe entender a criança como um humano com sentimentos, capaz de conversar, com quem se constrói uma explicação em vez de impor o "não porque não".

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Como dividir as tarefas no casal sem sobrecarregar a mulher?

O segredo é dividir o estratégico, e não só a execução: enquanto a tarefa executada termina, a carga mental de planejar, lembrar e gerenciar todo o processo costuma recair invisivelmente sobre a mulher e precisa ser nomeada e repartida.

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Como estabelecer limites e liberdade num relacionamento de casal?

O equilíbrio entre limites e liberdade no casal se constrói com diálogo empático e combinados frequentes que respeitam o que é valor para cada um — entendendo que esses acordos mudam com o tempo e precisam ser recalibrados, não definidos uma vez só.

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Qual a relação entre ser um bom pai/mãe e ser um bom líder?

Bons pais são bons líderes e bons líderes são bons pais: ambos os papéis exigem alternar entre o pulso firme (autocrático) e o diálogo (democrático), desenvolver sem superproteger e ter um olhar genuíno de "eu acredito em você".

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Conceitos relacionados

Transcrição

Olá, eu sou Andreia Éboli. >> Eu sou o LG. >> Estamos aqui em mais um Gerações Cast.

>> Nossa quarta temporada. >> Quarta temporada. Primeira, segunda, terceira e quarta.

>> Ó, esse tá carioca estão sempre gostando, né? Não muda, né? >> Demais.

Incrível demais. >> Como vocês sabem, Gerações Castificar esse essas verdades absolutas sobre gerações. Em cada episódio a gente traz um tema com duas pessoas de gerações diferentes pra gente discutir e aprender com cada uma delas.

E hoje a gente tá aqui para falar de um tema muito legal com pessoas muito legais. >> Legais. E você falou bem, elas >> elas hoje são só meninas.

Tô aqui de >> intruso. >> Intruso. >> E a gente tá aqui com a Flávia e com a Bruna.

Mas quem vai se apresentar são elas mesmas para vocês, contando pra gente quais, qual foi a última pesquisa que elas fizeram no chat de BTI, que representa um pouco quem elas são. >> Vocês diminuíram agora só pro chat de PTI, né, gente? Eu vim preparada para tudo, porque eu sou uma geração X assim que ainda usa muito Google.

>> Se bem que eu tô usando TikTok agora. Me aventurei pra pesquisa. >> Então, já que eu tô falando, eu vou começar, tá, Brun?

Eh, que que eu pesquisei? Eu ando pesquisando muito receitas para cozinhar, porque eu depois de 15, 16 anos de casada resolvi aprender a cozinhar. E isso tá sendo assim transformador no emocional da minha família com as minhas duas filhas e tudo, sabe?

Então, a gente já tava na quinta, sexta cozinheira ali para dar conta e ninguém gostava e ninguém gostava, era só reclamação. Então, agora estou fazendo um curso de co >> Qual idade das suas filhas? F lá >> 10:06.

E também no TikTok andei pesquisando sobre marca pessoal e pontos fortes e talentos, que é um pouco do meu trabalho. E aí tô vendo que existe sim conteúdos legais, existe vida no TikTok, além das dancinhas e da geração mais nova. >> Olha, tá vendo?

>> É, >> é, é um TikTok moderno ao mesmo tempo, corporativo, familiar, consultoria, mentoria, tá? >> Tem de tudo lá. Acho que tem de tudo lá.

>> Acho que tem de tudo. >> É, minha última pesquisa, na verdade no TikTok, que foi a minha última pesquisa, foi no final de semana. Eu tenho filho, né, de um ano, então eu não costumo mais sair para jantar, assim, é bem bem raro essa oportunidade.

Então, o delivery ele faz cada vez mais parte da minha vida. E aí a minha pesquisa no TikTok foi, tava friozinho, né? Qual que era o o lamen mais gostoso em delivery?

E daí o TikTok eu descobri pelo meu marido que é a melhor plataforma para você buscar esse tipo de informação. Daí eu tava procurando lá descobrir lá o o delivery. >> É, a gente sempre fala isso, que o TikTok já virou o número um em pesquisas aqui no Brasil.

Você lembra o nome? >> Era você lembra pr pra gente falar aqui. Aí ele vai patrocinar.

A gente vai começar com os patrocínios agora, ó. Se você tá aí, quer patrocinar a gente, >> foi o Irá, que é um japonês que eu já fui em Zakaiá lá em Pinheiros, então fica perto de casa, sabia que ia chegar quentinho. Pedi, tava bom, super bem embalado, bem legal.

Aí galera, ó, procurem o >> Irá. >> Irá. >> Pronto.

>> E a gente, vocês falaram um pouquinho aí do final de semana, mas o que que vocês acham que vocês têm em comum? Vocês conversaram ali um pouco nos bastidores, o que que é >> maternidade? Maternidade, por enquanto, o marketing, né?

As duas marqueteiras. As duas foram marqueteiras. >> As duas gostam de cor.

>> Verdade. Verdade. Ixe, vai ser incrível.

>> As duas trabalharam na L'oreal, moraram no Rio de Janeiro. Cas, casamos com cariocas. Tem muitas muitas coisas.

>> Galera, aproveita o episódio, eu volto mais tarde. Até mais. Tchau.

>> E tudo isso elas descobriram só no nos bastidores aqui, né? Então, para você ver como é que >> até o final a gente vai descobrir muito mais coisa, com certeza. Bom, e o nosso episódio de hoje, a gente tá falando de liberdade e limites.

>> E esse é um tema que tá aí também pipocando nas redes sociais muito porque a gente tem cada vez mais ficado preocupado com as nossas crianças, né, com o que elas estão vendo. E qual é esse esse limite, né? É, é, é porque as crianças hoje elas acabam vivendo numas bolhas, né, que a de proteção e que a gente tem que fazer com que elas fiquem ali mais protegidas.

Mas qual o limite disso para elas se tornarem também corajosos, desbravadores, se tornarem pessoas mais independentes, né? A gente tá sempre pesando isso. Então esse é o nosso tema.

Então para começar colocar isso. O que é liberdade e o que é limite para vocês? >> Eu acho que são dois extremos de uma mesma linha da educação.

Se a gente for falar aqui mais sobre maternidade, limite pros filhos, liberdade pros filhos, acho que são dois extremos, né? Então a gente sempre na educação de filhos, quem é pai e mãe vai entender um pouco isso, é você tá nesse ir e vir, né? Ou do oito ou do 80.

Então para mim é sempre tá olhando para até onde eu posso ir para cá que vai ser ruim, liberdade demais, e até onde eu posso ir para lá, onde limite demais também vai exerciar e vai reduzir as possibilidades daquela criança explorar o mundo. Por exemplo, >> você que tem uma um você ainda tá em outra fase, né? bebezinho, >> com bebezinho de um ano.

Mas como é que você vê o futuro disso? Porque a gente a gente tá vivendo real, a realidade aqui hoje, mas o bebê de 1 ano daqui a 10 anos, como é que vai ser esse futuro? >> Será que a presença nas redes sociais ela tem que ela vai ser mais importante do que o físico?

Essa essa >> a inteligência artificial, essa interação? Como é que você vê isso, Bruna? É, eu acho que tem uma coisa que para mim, assim, todo dia praticamente, né, eu penso e tudo que eu ouço sobre isso, livros, podcasts, etc.

, falam muito sobre isso, que é justamente o papel das redes sociais, né, que tem esse papel de informar, de também, né, aproximar, né, tornar mais possível o mundo que eu acho que nossas avós, mães, não tinham conhecimento de muitas coisas, muitos temas e tá mais num coletivo como mãe, menos num lugar tão individual que só acontece comigo ou solitário, mas ao mesmo tempo é a exposição, né? Então você desde desde sempre, né, eu tenho um Instagram que eu coloco lá fotinhos que não dá para deixar só pra gente, né, aquela fofura. Então você acaba expondo o seu filho.

E qual que é o limite de Acho que isso é é muito difícil assim você entender, né, se isso vai fazer mal para ele algum dia, né, ou se algum dia isso pode escalar para uma coisa, né, o próprio chat, né, se a informação que a gente tá colocando lá, ela vai para um lugar tenebroso que a gente ainda nem sabe direito onde que é. Então acho que isso, assim, indo pro mundo virtual, eu acho que a gente não sabe muito bem onde vai dar. Acho que tem que ter cautela, mas ao mesmo tempo viver com isso, né?

Aprendendo ali no dia a dia mesmo como as coisas estão funcionando. >> Seus filhos usam celular? >> Não, jamais.

>> Não usam >> nem tablet. Nunca nunca tocaram num tablet as meninas. >> Aí eu vou dar para elas agora de presente nessa casa.

>> Aquele presente de grego, né? >> Me dá, me dá, me dá em dinheiro que é melhor. A gente faz outra coisa com esse dinheiro.

>> Mas conta porque então como assim? Eu tenho, eu tenho a honra de ter a minha irmã como fona audióloga, que sempre nos trouxe informações do que ela estava vivenciando no consultório em relação ao desenvolvimento da linguagem das crianças pequenas e expostas desde muita televisão até tabletes e celulares. Então, quando a gente vai num hotel, né, passear com as crianças, você vê a enormidade, a grande maioria das famílias tem um celular, um dispositivo, uma tela exclusivo para criança.

E não só na hora de lazer, na hora do do relax ali da família, como também na hora das refeições. >> É. E na nossa geração, a gente tinha que desligar a televisão na hora da refeição.

Meu pai falava: "Todo mundo na mesa, na mesma hora ali para ter aquela interação familiar e o convívio e as trocas, né? Então eu acredito muito de que grande parte de quem eu sou, dos meus valores >> e o repertório que eu tenho de vida, vieram dessas conversas ao redor de uma mesa de jantar ou de almoço em família. seja o núcleo familiar ali, pai, mãe e irmãs, seja o grande almoço do domingo com avó, com tios, com primos, etc.

Então assim, acho que tem essa relação, né? O humano precisa de humano, precisa de contexto, precisa de conversas. E o digital ele não oferece esse relacionamento quente, ele é frio e ele ainda assim é delimitado e criado para nos viciar, para nos tornar mais menos inteligentes, né?

Pra gente usar. tem o Brain Rods, que é esse termo muito explorado no ano passado, né, que foi a palavra do ano, que o nosso cérebro, sim está em fase de apodrecimento. E essa mesma irmã fundou o movimento Desconecta junto com outras mães da escola dos meus sobrinhos aqui em São Paulo.

E eu também tenho a honra de ser consultora de comunicação do movimento desconecta, que começou em abril do ano passado, hoje tá com 90. 000 1000 seguidores e eles fizeram, deram aquela empurrada junto a deputadas e vereadoras aqui de São Paulo para que os celulares fossem proibidos das escolas e depois isso virou federal. Então o que que o movimento desconecta prega?

Ele prega que a gente entregue um celular à criança a partir dos 14 anos e rede social a partir dos 16 anos. E esse é um território meu, sabe? Eu eu que sou consultora de marca pessoal, eu abracei essa causa.

Eu posto muito, né? Andreia deve ver que eu defendo a infância sem tela. Sim.

Minhas filhas não assistem televisão, não. Elas assistem televisão quase todos os dias, mas eu controlo bastante o horário. Fim de semana eu deixo mais relaxado.

É igual comida, né? O chocolate, a pizza. A gente não não enfia o pé na jaca no fim de semana.

Então o fim de semana tá relax ali. Mas durante a semana precisa ter rotina, precisa estudar, precisa fazer tarefa de casa e tudo mais. Então é menos celular.

Há muito pouco tempo atrás, elas me pediram para ver um joguinho X no celular que todas as amigas estão usando. E aí tem esse fator de incluir ou não estar inclusa ou não inclusa no grupo das amigas, né, no ambiente. >> Mas eu super faço uma lavagem cerebral no bom sentido, para que elas entendam que eu estou protegendo a infância delas e o cérebro delas e não sendo a mãe chata, que é a única que não deixa.

Graças a Deus, eu vivo num lugar e a escola ali suporta a gente nesse aspecto, que são muitas que não tem, mesmo aos 10 anos com a minha filha. Então elas elas têm esse joguinho X aí que elas querem ver no celular e eu deixo 20 minutos sábado e 20 minutos no domingo quando elas se lembram. >> Uhum.

>> Então já vieram barganhar comigo na segunda-feira. Mamãe, não jogamos no fim de semana, logo posso ter 40 minutos hoje. Eu falo: "Não, hoje é segunda, hoje não é domingo nem sábado.

" Então a senhorita perdeu a sua vez, sabe? >> Então é bem assim, >> é uma consciência, >> é uma consciência. A gente que trabalhou com beleza, nós nós quatro, né?

Com beleza aqui, >> então tem a questão do corpo perfeito, dessa >> coisa de magreza, né? Essa essa vibe aí pela magreza eterna. E isso é muito ruim.

né? Os filtros do Instagram e as as meninas de fato, as famosinhas do Instagram, ensinam as meninas pequenas a tirarem medidas do busto, do quadril, da cintura, desde cedo. >> É, tem isso sim, >> faz muito mal.

E aí quando vocês pensam na educação que vocês tiveram, porque era uma educação que não tava focado no no dígitão, mas mas tinha seus limites e suas responsabilidades, como é que vocês se comparam a que vocês tiveram com a que vocês têm hoje ou que vocês dão hoje pro de limite de liberdade pros filhos de vocês? É, eu tô numa fase que ainda não tenho grandes eh grandes pontos assim de ai vou expor, né, a um padrão ou algum influenciador ou alguma pessoa, algum lugar que seja perigoso ou algo assim. Mas eu o que eu penso muito é no desenvolvimento, né?

Então eu vejo muito assim, né, com meus avós, minha minhas minha mãe, meu pai, né, minha sogra, todos querem fazer muito pela criança, né, pelo bebê. E hoje, né, eu também tenho uma irmã e é psicóloga que atende muito criança, né? Então ela também me ajuda muito nesse lugar de e a escola também vai muito para esse lugar de dar de fato a liberdade pra criança num lugar controlado, num lugar seguro, né?

Mas que ela possa explorar, né? Então desde vou dar um exemplo super pequeno assim, super pontual, mas que acontece demais assim na minha família. Ah, ele tá com muito frio, põe uma meia no pé dele, põe uma luva na mão dele.

Isso é uma coisa que assim não acaba, mas minimiza muito, né, toda essa essa sensibilidade tátil, o desenvolvimento motor da criança. Então, assim, são coisas que antes eu não sabia, né, que provavelmente aconteceu comigo. Não que, né, grandes coisas aconteceram comigo a partir disso, mas que hoje tendo essa informação, eu entendo que é um lugar que me cabe, né, mudar e fazer diferente do que fizeram comigo, né?

Então, ah, ao invés de dar comida na boca da criança, deixar a criança explorar, né? Não sempre, tem horas que eu tô com um tempo mais apertado que eu vou ter que fazer isso, né? E tudo bem, né?

Acho que isso das telas também foi muito emblemático, porque meu marido, a gente tem um acordo de não vamos dar telas, mas ele tem avó, a bizavó que moram no Rio de Janeiro. >> Uhum. >> Então, eventualmente, sim, ele fala por tela, né, por pelo celular.

Sim, sim. >> E tem essa essa essa troca com elas virtualmente. Eh, a gente foi viajar, pegamos 4 horas de carro, teve 2 horas lá, ele dormiu, as outras duas horas foi chorando e eu tentei de tudo, tentei celular.

tela, videozinho, na hora do do nada funcionou, mas assim, não é algo que tá na rotina, né? Mas eu acho que acho que antes, né, eu tinha muito uma linha, não, não posso ser flexível, isso precisa ser dessa forma e tal. E eu entendi que, na verdade, acho que a gente precisa ser um pouco mais flexível assim na criação dos filhos e entender que às vezes a avó tá falando para pôr a meia, não é por mal também, é que ela não sabe.

Então dá um pouco dessa liberdade também para criança ser quem ela é, sabe? Talvez ela precise um pouco mais de uma coisa do que a gente gostaria. Então acho que ir moldando por aí.

>> E seus pais te davam muito limite, Bruno? Eu assim, eu não não é algo que me marcou no sentido de trauma, mas eu sou uma pessoa muito responsável, eu sou muito pragmática, muito objetiva, então com certeza teve muito isso de, né, deixar um pouco mais fechado o meu cerco, sabe? Eu acho que hoje eu trabalho e o meu marido não.

Eu acho que ele tinha uma mãe bastante firme, que dava bastante limite, mas ao mesmo tempo ele, eu acho que ele viveu, até por ser do Rio, não sei se você compartilha dessa experiência, mas ele tinha esse lugar de mais liberdade, mais autonomia. Então eu acho que a gente procura hoje um meio termo, né? Tem sim um direcionamento, claro, um lugar seguro, mas ao mesmo tempo dá um pouco mais de liberdade, né, para para explorar e para ser criança mesmo.

Acho que um pouco isso. >> Deve ter assim certamente uma coisa, nunca estudei isso, não sei se vocês conhecem, mas deve ter uma correlação assim de São Paulo é uma cidade super perigosa, então consequentemente você tem uma preocupação maior tranquilo, né? >> Não, eu digo assim, eu morei no Rio um ano e meio, mas eu morei em Macaé, depois eu pro Rio, eu vi as crianças lá muito soltas.

Sim, >> é interior. Eu moro no interior hoje. >> É, >> é você qual cidade?

>> Vinhedo. >> Vinhedo. Conheço muito Vinhedo.

Vou quase todo final de semana lá. Vinhedo é uma cidade onde as crianças ficam mais soltas um pouco >> no condomínio. Olha do condomínio.

>> É. E se você for nos bairros também, >> o ponto que você tá numa capital como São Paulo ou sei lá, pegar BH, Porto Alegre que eu conheço e Rio de Janeiro. Exatamente.

>> O grau de insegurança, ele é maior do que nas cidades periféricas ou no interior. >> Sai. Sim.

Mas eu trabalhei com pessoas já, tanto gaúchas, quanto cariocas, quanto nordestinas, que elas contam pouco dessa história de que o que o pai ou a mãe fez, ele fez porque foi feito com ele. Só que ele agora tem uma irmã, tem um primo, uma tia, um conhecido que tem um conhecimento novo, atualiza o software de de trabalhar com as crianças. Vocês vivem isso também desta maneira ou não?

atualiza o software, mas a máquina é a mesma, porque a gente repete os padrões. A gente repete muit os padrões. É um trabalho assim de >> de novo, autoconhecimento, terapia, pra gente sair dos padrões que são sombra, que são ruins, pra gente usar só o que foi nos dado de bom.

É, >> e hoje a gente tem tem a vantagem de ter um conhecimento ali à nossa disposição em Google, TikTok, Instagram, em muitas ferramentas novas até da própria psicologia positiva, que é uma teoria muito nova dentro da educação infantil, né, de pais e mães, dos cuidadores, onde a gente não é a permissividade, a, né, a psicologia positiva, ela fala, você entender que aquela outra, aquele serzinho baixinho que tá ali, ele não é hierarquicamente menor e menos poderoso que você. Ele é um humano que tem sentimentos e que você consegue sim conversar, mesmo que tenha três aninhos de idade, mais paraa frente você já vai conseguir ter essas conversas. A gente viveu, porque a gente viveu a o limite tava muito ligado a uma posição hierárquica quase autoridade, sim, >> né?

Onde eu mando e você obedece, né? Quantas vezes a gente não escutava falar assim: "Ah, você não é igual a todo mundo, não, sou, eu sou diferente". Mas não era você não é igual a todo mundo no sentido de dizer você é único, meu filho.

É assim, você não tem direitos como todo mundo. Então a gente >> e quando a gente fala não era não porque não, né? Hoje não, minhas filhas querem uma explicação, então eu fico com elas ali tentando elaborar uma explicação >> que elas entendam do ponto de vista de pais e mães que eu estou preservando, eu estou cuidando, estou eh orientando, eu estou vislumbrando algum possível perigo no futuro ou alguma fragilidade que pode ser ruim para elas.

>> E ao mesmo tempo acho que a gente se percebe, eu já me peguei falando não para uma coisa que depois eu pensei, por que que eu tô falando não? É o padrão, >> porque é porque a sociedade falou que não pode fazer isso ou porque meus pais, né, falaram que não, eu não podia fazer isso. >> E daí é um pouco isso, né?

Você não tem nem como construir uma conversa em cima do não. É não, porque é não porque você não tem nem motivo para falar o não, né? Então acho que tem a ver com o padrão.

É que eu que fico pensando é assim de novo, né? Eu não não sou pai ainda, então me relaciono com muitas mulheres e homens, pais e mães, etc. A gente acabou de passar por uma discussão de adotização.

Ainda estamos nessa discussão de adotização. >> Então, ouvindo vocês, o que me o que me faz pensar é o seguinte: tem uma questão dos valores da família, pai, mãe, dá celular, não dá, pode, não pode. Tem uma questão do acesso do meio que a criança com o adolescente tá inserido ou adulto, seja lá o que for.

A gente tem adultos que são infantilizados. >> Uhum. >> Da mesma forma, a gente tem eh pré-adolescentes, adolescentes que são mais maduros, né?

A gente teve um episódio aqui no podcast que a gente teve um jovem super maduro aqui. Eh, mas não me parece que é democrático essa discussão. Então assim, eh, tem vários memes na internet de mãe batendo na criança, fal: "Não é para fazer isso, pau.

" "Já falei que não é para ir na rua, você não é igual a todo mundo mesmo. Tchau, fica aqui. " E aí tem, aí entra um meme que é assim: "Olha, meu querido filho, como você está se sentindo?

Você acha que eu tomei a melhor decisão? Você daqui 5 anos terá algum tipo de conflito no terá? " Então assim, >> qual é esse limite do limite?

>> Qual é? Qual é o limite do limite? A gente soltar, ser autônomo e quebrar a cara e aprender com os erros barra você proteger e ter n conceitos terapêuticos e psicológicos para blindar aquela criança.

>> A vantagem é que a maternidade não é linear constante, nem lógica. Ela é uma montanha russa. Então vai ter dia que você vai ser filhinha, senta aqui com a mamãe, me conta o que você tá sentindo.

Agora eu tô entendendo porque que o seu comportamento tem sido ruim, porque você tá com um problema com uma amiguinha na escola. Beleza? Resumindo aí a conversa.

Tem outros dias que você vai falar: "Cara, é agora que você vai entrar no banho já? " >> E pego pela mão e liga o chuveiro e coloca lá dentro. >> Que é um pouco da liderança, né?

Se você pensar bem, o papel de mãe e pai é um papel de liderança, é um papel que tem hora que eu preciso ser autocrático mesmo, tem hora que eu tenho que ser, eu posso ser democrático, tem horas, >> você vai questionar a decisão de um CEO, de uma mudança estratégica, haja visto, sei lá, as taxações do Trump. >> É, >> né? A geração Z gosta muito de questionar.

Eu acho que é uma boa geração, aliás, inclusive, que traz o que a gente não teve, né? A gente só fazia assim, senhor, vou fazer, entrego na data. Mas aí a gente vem com coisas que não se questionam.

E a criança, o ser humano, ele precisa desses limites para se educar, para se regular. Então, a criança quando tá em birra, ela pede por esses limites. Quando você deixa ela muito solta, teve outro dia que aconteceu esse episódio em casa, tava e meu marido super ocupado, a gente tinha que terminar coisas e aí deu 7 horas, ninguém tinha oferecido o jantar para elas, deu 7:30, eu, meninas, esquentem a comida no microondas, deu 8 horas, nada.

Eu falei: "Não, então agora vamos". Daí elas já tinham sacado que a gente perdeu a linha da rotina, do das sequências e dos horários. E aí para botar na para sentar na mesa foi um parto.

Será que elas não estavam com fome? Deviam estar morrendo de fome. Mas aí ficou tão solto aquela equipe atuou tão sem gerência e sem cuidado e sem atenção, que a hora que você precisa de um pulso firme não vai chegar, não tem.

É, >> é bem parecido a maternidade com a lideran. até olvento versus o passarão. Sabe essa coisa do vou?

Porque o líder, né, se você pensar muito, o líder ele tem que desenvolver as pessoas, mas não passar mão na equipe dele, né? Não, não proteger demais, ele esconder ele tem que trazer desenvolvimento. E eu acho que a educação é igual, né?

Eu costumo brincar que eu acho que bons pais são bons líderes e bons líderes são bons pais, porque tem uma uma relação muito próxima disso quando você vê líderes que que realmente são muito mais autocráticos, muito mais democráticos, aqueles líderes que misturam as duas competências, aqueles líderes tem que t um olhar genuíno pela pessoa que ela desenvolve, aquele olhar de eu eu acredito em você, eu aposto em você, assim como é uma relação de pai e filho. Então eu acho que a lider, a gente aprende muito sendo. Eu até a gente tava brincando de maturidade porque eu fui mãe muito cedo.

Isso me ajudou enormemente na minha liderança. Eu fui líder na minha carreira assim, eu fui líder muito cedo. >> A minha primeira função como líder, eu acabei o programa de treino, eu virei, lembra, do atendimento, do snack e eu tive que liderar pessoas e era o meu primeiro cargo de liderança.

Mas o fato de eu ter sido mãe, aquilo me ajudava muito, né? E eu acho que tem um pouco dessa desse tem uma analogia aí que eu acho que é bem importante. Se você >> Mas voltando a à pergunta do LG agora a pouco falando sobre a democratização, né, desse conceito de educação atual, eu acredito muito que as redes sociais elas vêm para matar uma sede de ego que é inata do ser humano.

Todo mundo tem vontade de ser visto, reconhecido, aplaudido. Acabou. Isso é fato.

E a rede social traz isso. >> Então você vê a Bruna aqui com um bebê de um ano, ela expõe as fotos. A gente vai saber os motivos, entendeu?

São n, mas vai permear, vai passar por ali, tá? De, ah, eu tenho um filho lindo, ele é super fofo, ele é super educado, ele é uma graça, ele fez essa essa gracinha hoje, ele avançou, ele tá segurando agora nos móveis e começando a andar e tal. Então não importa, é de A a Z que o que eu vejo de gente dando celular para as crianças.

Por quê? Porque a mãe está no celular o tempo todo. Nós estamos viciados já nessa dopamina rápida >> e fácil e barata que é o Instagram, o LinkedIn, TikTok e além de tudo a gente ter que trabalhar no celular.

É banco, é e-mail, é o chefe, é um agendamento de médico, é uma vacina, é um exame. Você tá o tempo todo com o celular. Então nós viramos referências.

Aí as crianças já com 3 anos que já sabe falar meia dúzia de palavras, fala: "Por que você tá no celular e eu não tô? " E aí os pais às vezes faltam pulso firme, informação, limite para dizer: "Então a mamãe pode, mas você não pode". Eu falo sempre pras minhas filhas, isso aqui é como se fosse um computador, é o material de trabalho da mamãe.

Sim, você tem razão, a mamãe tá exagerando hoje. Então a gente já tem um combinado que a hora do jantar o celular fica no móvel ali longe. >> Uhum.

>> E a gente se policia um ao outro quando tá demais assim, sabe? >> É, é mais fácil. É a chupeta história do equilíbrio, né?

O equilíbrio é tudo na vida, né? Então, o equilíbrio de se pensar eh como é que eu deixo relações saudáveis entre mãe e filho, relações saudáveis entre os amiguinhos e os colegas, o relação saudável entre a tela e a não tela, a relação. Então, acho que o equilíbrio é, eu acho que é o norte dessa coisa do limite e da liberdade, né?

E aí eu queria trazer outro ponto agora. A gente falou até agora de filhos. Eu queria agora falar de limite liberdade pras relações, que é um outro assunto, que é um outro ponto que às vezes a gente também vai entrando em papéis culturais, religiosos, corporativos.

Qual é esse limite eh e a liberdade que a gente tem que lidar numa relação amorosa, né, uma relação conjugal? Como é que vocês vem isso? Nossa, ai meu Deus, é todo dia, né?

É, é todo minuto assim, porque a gente tá o tempo todo, como é uma parceria, é uma sociedade, negociando. >> E eu passei recentemente também por uma situação curiosa, porque o meu companheiro, né, ele ajuda muito, eu detesto esse termo, ajuda, mas ele faz parte ali, participa >> de toda a rotina da casa, das filhas e etc. E e a gente tinha papéis compartilhados, mas nunca desenhados.

Não tava escrito em nenhum lugar. O que que cada um cuidava? >> Então, era um Deus nos acuda.

Porque assim, eu achava que era dele, ele achava que era meu, mas num dia a gente trocou e num dia eu tô mais apertada, ele me cobre, outro dia é o contrário e tal. E a gente teve que sentar para ter essa conversa também. De novo, muito parecido com o corporativo, porque o cachorro com dois donos morre de fome, né?

Então tem isso também. E eu tenho uma a minha sócia do podcast, né, Adriana, do Mulheres sem Filtro, ela sempre virava para mim e falava: "Flávia, historicamente, biologicamente, né, o padrão da mulher é saber. É uma é uma sabedoria nossa, ancestral, inata, eh, secular, assim, a gente sabe fazer as coisas da casa melhor, então a gente por que surtar tanto se você faz melhor?

" Então eu comecei a abraçar mais coisas da minha casa, avisando sim o meu marido, comunicando a ele, porque eu acho que eu sofria mais em dar o feedback negativo e corrigir e ter o retrabalho do que falar: "Cara, não, esse aqui você não faz bem, então deixa que eu faço". E e muito me ajudou o que eu tô fazendo agora, né? Essa coisa de de consultoria, de mentoria, marca pessoal.

Eu tenho estudado muitos pontos fortes do Galope lá, do Clifton. Falei: "Cara, a minha, o meu talento número um é organização, o meu talento número três é execução. " Então, por que que eu tô deixando na mão de terceiros?

>> Qual é o dois? >> Ai, cara, esqueci. Mas acho que é comunicação.

Depois tem comunicação, tem empatia. >> Ah, >> e conexão. Mas acho que a ordem eu tô falando errada.

Mas eu marquei bem o primeiro e o terceiro, porque eu precisei colocar na mesa para ele essa discussão. Então, eu fui lá no livro e olhei e falei: "Não, então vou levar isso para ele que acho que vai fazer sentido". e tal.

E aí a partir do momento que eu abracei, cara, eu tô muito mais leve, >> sabe? Ele tá focado, ele também tá mais leve, mas ele tá me ajudando em coisas que eu não tô pedindo, sabe? >> Faz diferença para vocês.

>> E você, B uma pessoa com um bebê de um ano em casa? Então, para mim, acho que eu tive que aprender muito isso do, ah, eu faço melhor, >> porque às vezes o fazer melhor é o fazer do meu jeito e nem sempre é o melhor ou o único jeito. >> É o seu jeito.

>> É o meu jeito. Então, a gente a gente sentou e dividiu assim num momento que eu já tinha tido filho, ele teve seis meses de licença paternidade, >> que é incrível, né? Então a gente conseguiu realmente fazer vai, acho que o 50 não rolou porque, né, tem amamentação e tem a carga mental.

E ele não entendia isso. Ele não entendia. Ele falou: "Tá, mas por que que você tá tão sobrecarregada?

Eu faço um monte de coisa também". Eu falei: "Tá, mas você não tá pensando em um monte de coisa". >> Uhum.

>> E aí ele falou: "Tá, mas eu troco a fralda". Porque a gente já tinha definido que ele, o papel, o meu era amamental dele era trocar a fralda. Então, toda a fralda era dele, né?

Primeiramente era dele. E aí eu falei: "Tá, mas para trocar a fralda precisa ter água na garrafa térmica, precisa ter a fralda, precisa ter o lencinho, precisa, precisa ter um monte de, precisa ter a roupa seca lá que cabe, né? porque às vezes a roupa já deixou de caber.

Então eu tava trabalhando em todo esse ecossistema e para mim era muito natural fazer isso porque, né, uma coisa que >> a nós mulheres, eu eu compartilho um pouco, né, que a gente já vem preparada para isso, mas eu acho que é menos biológico, é mais social, né? A gente cuida de boneca, a gente cuida dos nossos irmãos, dos nossos primos, né? a gente é muito eh exposta a esse tipo de cuidado desde sempre, desde pequena, mesmo a gente sendo às vezes mais nova do que as pessoas que a gente cuida.

E os meninos não, né? Os homens não crescem com esse chip do cuidado porque eles não são socialmente programados para isso. Então eu tive que sentar uma hora e falar assim: "Olha, não dá".

A gente abriu um Excel literalmente e escrevemos >> as duas. Olha só, meu foi no bar o Excel, o Excel te ajuda a colocar limites. Essa é a coluna aqui, ó.

Você vai até a coluna >> e tem e tem a flexibilidade, sabe? Acho que mais recentemente a gente passou por uns dois, tr meses que meu filho acordava de hora em hora e foi assim bem caótico, >> mas para mim era menos do que para ele. Eh, eu chegava lá e enxergava como meu filho precisa de mim.

É, >> bom que eu tô aqui. Eu posso acalmar ele. Ele já ia dormir ansioso com quando que eu vou acordar e ele vai acordar gritando e eu não tenho a ferramenta de amamentar, né?

Ele surtava, ele ficava lá meia hora e o meu filho gritando. Falei: "Olha, eu assumo as madrugadas, você, né, das 10 das 10 às 6 da manhã é comigo. Se ele chorar é comigo.

Ah, mas você vai ficar muito cansada. Paciência. A gente vai resolver isso, né, de verdade.

Daqui a pouco às 6 da manhã você acorda e eu volto a dormir ali duas horinhas antes de voltar a trabalhar. Meu trabalho era home office, então também conseguia ter mais flexibilidade. Então acho que é um pouco isso.

Tem, né, a definição muito clara de papéis. Eh, isso tá muito, né, assim, entrenhado em quem eu sou, mas ao mesmo tempo entendi que uma relação precisa de flexibilidade, precisa entender. Uma vez eu vi que a relação não é 50, é chegar no 100% juntos, né?

Então, >> é, às vezes um tá 30, outro tá 70. >> É, o importante é não tá menos de 100, né? Então acho que eh >> mas você sabe, Bruno, que você tá trazendo uma coisa que a gente até discutiu num podcast com a Navia, >> que é o a ajuda psicológica, porque a ajuda execut execução é uma ajuda que tudo bem, você faz aquilo, eu faço.

Só que assim, para eu quem controla a carteirinha de vacina, porque a carteirinha de vacina, quem agenda médico, quem pensa que olha pra roupa da criança e fala: "Puta, a roupa dela tá curta, precisa comprar uma outra roupa, final de semana eu vou ter que planejar". Então tem um processo estratégico, >> tem >> nessa gestão que sempre é da mulher, porque e assim na maioria das vezes, claro que existem e exceções que tá sempre na mulher. Então assim, a gente tem que começar a dividir o estratégico, não só a execução.

Por isso que fica, a gente fica tão incomodado com essa história do deixa que eu te ajudo. Me ajuda não. Pensa no processo inteiro.

Não é assim que você faz no trabalho, pensa no trabalho, pensa no processo desde o início, desde a ideia até a execução, porque é assim que eu faço como mãe. Então eu acho que começa a gente começar a mudar um pouquinho isso de estratégico e execução juntos. Você é dono desse, então estudar com as crianças.

Escola é teu papel, cara. É teu papel de pensar que ele tá indo bem, olhar as notas, falar com a professora, marcar a reunião, tudo é seu. >> Me deixa fora disso.

O pacote vai inteiro com você, porque é o estratégico que cansa. Se você pensar, ex dá dá liberdade pra pessoa fazer diferente de você. Acho que que nem profissionalmente, né?

Quando você começa a liderar um time, >> as pessoas não vão fazer igual a você, a apresentação ou a análise, né? E óbvio, quando, né, eu tenho uma pessoa mais júnior e eu preciso ensinar ela, eu vou ensinar um pouco mais parecido comigo, mas o cam. >> É.

>> E daí você precisa colocar, né, uma lente muito apurada de entender, tá? Eu tô, não gostei disso porque não é do jeito que eu faço ou porque isso de novo, né? >> Ou porque isso é genuinamente importante pro resultado, né?

Impacta o resultado daquele trabalho, né? Então, acho que na maternidade eu vejo muito isso acontecer. Depois você mais pra frente você vai ver o quanto as crianças se conectam com aquele jeito do pai fazer aquela coisa, porque aí começa a ficar o jeito deles.

E aí assim, a minha a minha relação com as minhas filhas é de um jeito X e delas com o pai é de um jeito Y. Então toda atividade vai ter o toque dele, a marca dele, o jeito dele fazer, o estilo, sabe? Então do meu jeito é assim, eu sou mais durona.

O pai já >> agora eu vou te cutucar de novo vocês. >> A gente, eu falei de liberdade e de limite, vocês trouxeram de novo os filhos. Eu não quero os filhos.

Eu não quero os filhos agora. Eu quero limite e liberdade entre os casais. >> O que é esse limite e liberdade para um casal feliz, para um casal saudável, equilibrado?

>> É, posso complementar rapidinho? >> E nesse sentido, quando dizer não te liberta. Nossa, maravilhoso.

>> Eu aprendi a dizer não eh desde muito cedo, graças a Deus, porque eu também conheci meu marido já mais madura, jamais terapeutizada. E a gente tem bem definido assim essa coisa dos papéis também do vai sair à noite, vai sair com os amigos. Tem hora que ele fala: "Nossa, cara, você tá indo em vários repourses, eu tô a tempão, há tempo, sem fazer nada para mim".

Eu falo: "Então, mas vai atrás, sabe? É autogerenciamento, vai atrás. Eu não posso também >> no meu planejamento estratégico pensar no teu lazer, >> o seu happy hour, o seu jogo de não sei o quê, sei lá, para quem joga bola.

>> Porque eu acho que o homem tem mais limites com isso. A mulher ela ela porque a mulher, a amizade tem essa, esse papel terapêutico e ela coloca na prioridade dela, igual que o homem talvez priorize o esporte, vai, vamos colocar assim. Lá em casa é assim, né?

Então, uma vez assim, o meu marido reclamando que eu saio muito, eu falei para ele: "Cara, sair para mim é igual o esporte para você, só pensa assim: você não nutre, não bebe desse esporte, eu bebo da minha amizade, eu bebo das minhas amigas, eu bebo dessa fonte. Então ela vai fazer tão falta para mim, tanto falta para mim quanto você ficar sem seu esporte". Foi a hora que ele falou: "Puta, caiu minha ficha".

Eu falei: "Então é isso, então agora você vai pro teu esporte". Porque assim, eu faço esporte, mas não tenho essa relação, >> essa relação igual que ele tem. Então eu falei, é assim que a gente tá.

E aí as coisas ficam mais claras, porque é um pouco disso, né? É, é o que é importante para cada um. Sim, >> sim, sim.

É, e eu acho que o combinado, né, eu acho que cada casal tem a sua a sua relação. Uns têm aberto, outros não têm. Uns, né, são mais tranquilos com uma coisa ou com outra.

Eu acho que a conversa, né, e entender, tá, isso é importante para mim, né? Então, eh, tinha uma coisa que acontecia muito, que era assim, ele ia sair e ele queria ficar me dando notícias de cada passo que ele fazia e beleza, né? Eu olhava ali, ah, legal.

Só que assim, tinha uma determinada hora da noite que eu já sabia que ele já tinha bebido mais, sabe? Então, as notícias vinham um pouco tortas, vinham um pouco mais eh brincalhonas do que o meu momento, né? Eu tava em casa só, sem fazer nada, me preparando para dormir e ele tava já tipo, ah, né, fazendo várias brincadeiras.

Então isso começava a me incomodar e ele achava que ele tava me >> é prestando, vai, não um favor, mas fazendo algo bom pra nossa relação. Eu falei: "Olha". E e ao contrário, quando eu saí, eu sempre esquecia, tipo, eu chegava aqui, eu chego aqui, eu não, eu esqueço de avisar.

E ele ficava p da vida, tipo, cara, você não me avisou de novo e tal. E aí eu falava: "Desculpa, tipo, eu já dei oi, já entrei numa super conversa e daí eu lembrei de avisar só mais tarde, né? Mas é isso.

" E daí eu fic du fico duas horas sem avisar e ele não, a cada meia hora me dava ali o aviso. E daí eu falei: "Cara, eu não preciso desses avisos. Tipo, você precisa muito, né, do meu aviso.

Eu não consigo te dar. Vamos chegar numa coisa comum". E aí mais para frente assim, e daí, desculpa, vou ter que falar que foi depois que a gente teve filho e que a gente começou essa história, a gente compartilhou as nossas localizações, que tem casal que olha e fala: "Nossa, isso é cerciar minha liberdade", né?

Não, a pessoa vai saber exatamente onde eu tô, a hora que eu tô, mas isso deu mais liberdade pra gente, sabe? Então, acho que não é, né, uma coisa stalker de abrir e ficar olhando aonde ele tá. É, mas é tipo, cara, eu não preciso avisar, ele sabe onde eu tô.

Se acontece alguma coisa comigo quando eu tava grávida, sei lá, ele conseguia rapidamente ver onde eu tava, né? Ou se perde o celular, rouba um celular, sei lá. Então, eu acho que tem coisas que a gente olha às vezes como, nossa, isso, né, tem um alguém me podando ou colocando um limite ou tirando minha liberdade, na verdade é o contrário, né?

Então, acho que é muito particular. A gente com conversa assim chegou num lugar que tem funcionado. Não sei se daqui a pouco vai funcionar, né?

Acho que é ir recalibrando assim a rota. >> A gente tá caminhando pro final, pelo que me consta, André, mas tem uma coisa que tá me pegando aqui, é então entre liberdade e limite, talvez a síntese o diálogo. É isso.

Encontrar um ponto, >> eu acho, >> um ponto ali de que as coisas têm que se elas precisam convergir para algo. >> É. E é o diálogo frequente, eu acho, sabe?

LG, porque uma coisa é sentamos, conversamos agora, mas daqui dois dias, um mês, dois anos, pode não fazer mais sentido esse combinado para mim e pro outro também, né? Então eu acho que ter essa mentalidade também de que a gente não é estático, né? E o mundo tá mudando, a gente tá mudando, muita coisa tá mudando, as nossas relações podem mudar também, né?

Acho que o su para mim, né? O sucesso de uma relação não é que ela se mantenha igual, né, como ela era desde o início, né, ou a questão do apaixonamento. Ah, a gente ainda tá muito apaixonado, talvez não.

>> Vários casamentos em um, né, que é aquilo que a gente falou, né, >> isso, né? E mudando, ir mudando junto, né, e tendo esses essa esses diálogos, esses combinados e esses sims frequentes, né, não só um sim lá no início. >> Agora, para mim é o diálogo, mas é o diálogo empático, né?

Porque é o diálogo de eu de verdade olhar para as necessidades do outro, né? Eu brinco assim, o meu marido fala assim: "Ah, eu não gosto de eh não, mas você vê, eu nunca saio para para em barzinho para ouvir música". Eu falei: "Você não gosta de música e nem de barzinho".

Então assim, fazendo a comparação é quase dizer assim: "Ah, eu também nunca vou jogar futebol". Ó, tá vendo? Eu também nunca vou jogar futebol, >> né?

Quando ele fala isso para mim, você não gosta de música, não gosto de barzinho, não gosto de gente, não gosto. Então assim, é diferente a comparação. Então assim, o que que é valor para você?

>> E tem acho que o tempo de cada um, né, Deia? Porque assim, são momentos da nossa vida que a gente tá mais apta para socializar, tá mais querendo trocar, fazer um networking, etc. E outros momentos menos ou mais pro esporte.

Eu lembro que quando a gente mudou para Vinhedo, logo no primeiro aniversário do meu marido, eu dei uma bermuda para ele de ciclismo, porque lá tem muito ciclista e ele adora pedalar, mas ele nunca foi assim aquele ciclista, uau, super engajado, tal, ele pedalava no rio assim, né? Ia circulando pela cidade de bike. E aí eu dei, isso foi em 2021, ele começou a pedalar no final do ano passado, entendeu?

Porque foi o momento dele de falar: "Bom, agora acho que pedalar faz sentido, agora eu vou tirar um pouco o pé do trabalho e vai cuidar da minha saúde". Ele teve um troço de saúde assim que chamou um pouco atenção. Daí é que ele acordou pra vida, porque ele falava: "Eu não tenho, não faço nada para mim".

Aí eu falava: "Olha, tem isso. A gente mora numa cidade que tem represa, então agora ele tá fazendo caiaque também". >> Então não, eu falei, tem isso, tem isso, tem isso, tem os caras, os pais de duas turmas de escola que você pode se conectar, tem os vizinhos, mas ele não tava na na pilha, entendeu?

Não tava querendo. >> E agora sim ele acordou. Então acho que cada um tem seu tempo, suas necessidades, seu jeito de fazer.

Você não falou nada nessa, né? Essa você pode falar. Você não falou pouco.

E o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho? El queria ouvir você. Você perguntou pessoa errada.

>> Então, mas ó, acho que é importante. A saúde mental tá aí, ó. >> Eu brincadeira, eu compactuo com o seu marido de tomar uma ação mais radical depois de um de um fato relacionado à saúde.

Porque é isso, né? Eu sempre fui muito, muito orientado ao trabalho. Sempre adoro trabalhar, amo, tem maior assim dedicação pelo trabalho, me divirto e é entre trabalho e hobby é a mesma coisa para mim.

Porém, eu tive uma questão séria de saúde, que eu fiquei quase três semanas internado na UTI, um tempo, >> quase morri, os médicos não sabiam que eram. E aí quando eu volto daquilo lá, eu tinha um compromisso com Deus. Falei: "Bom, se Deus me tirar dessa, é porque ele quer que eu me realize, realize fazendo coisas, ajudando pessoas, transformando vidas, etc.

" E aí sim eu comecei a colocar eh saúde como prioridade. Então desde então vai fazer isso aconteceu em 2023. Então faz dois anos que eu fiz reabilitação de esporte mesmo, esportiva de eh pilates, musculação e corrida.

E aí faz um ano que eu tô fazendo focado mesmo musculação com Pilates. >> Que legal. Então, é, é o ponto de equilíbrio.

E para isso precisei naturalmente ouvir mais a minha esposa, que sempre falava para mim, que eu trabalhava demais, que eu não dava tanto tempo paraas outras coisas. E aí eu busquei desde então um equilíbrio maior. Então, por exemplo, ontem eu trabalhei e eu consegui ter um momento com ela que depois do tive um almoço, reunião, trabalhei à tarde e aí ao invés de eu tomar o café com alguém à tarde, que sempre surge um café, alguma coisa, eu tomei com ela.

>> É, >> então ela foi até onde eu trabalho, a gente foi num caféu lá, tomei um café com ela e voltei a trabalhar. Então esses detalhes sutis eu comecei a incorporar muito mais na agenda em busca desse equilíbrio. >> São as pequenas pausas que nos alimentam, né?

E não é trabalho, precisa realmente ter esse contexto. >> Exatamente. Já acabamos, você acredita?

Ó, todo mundo entra com medo aqui, sai assim, falou: "Já, queria ficar mais tempo, queria conversar maisar mais". >> Queridas, um prazer ter vocês aqui. Queria terminar esse episódio pedindo para vocês um conselho pras pessoas que estão escutando vocês.

A gente tem um quadro que é a pizza da Luía. A Luía era minha filha e a Luía, sempre que a gente ia dar um conselho para ela, ela dizia: "Mãe, conselho é igual pizza, se fosse bom, eu pedia". E eu disse: "Não, mas você vai ouvir então aqui as pessoas estão querendo conselhos de vocês dessa conversa tão interessante".

Então queria que vocês dessem conselhos pras pessoas sobre limite e liberdade, dado a experiência de vocês. >> Eu me veio muito agora que você tava falando LG e conecta muito com a pizza que você falou. Eu acho que assim essa questão de limite e liberdade, né?

Acho que e do que a gente faz, de como a gente coloca atenção e se dedica na nossa vida é limitado, né? A gente tem uma pizza e a gente consegue colocar lá 100% no trabalho, 90, 50, né? E não dá para fazer mais do 100, né?

A gente não consegue fazer isso. Então acho que >> é é muito importante. Acho que o conselho é, né?

Eu agora, né, vivendo a maternidade junto com o profissional, é entender como equilibrar esses pratinhos e fazer tudo caber dentro do 100%. Não dá para eu me dedicar como eu me dedicava no trabalho, se eu quiser me dedicar o quanto eu tava me dedicando na minha licença maternidade. Então, como eu equilíbrio isso, né?

E daí acho que a questão da vida pessoal e da profissional é a vida pessoal. Eu gostaria de ir fazer musculação, fazer futôlei, fazer spinning e yoga todos os dias. Queria jantar com meu marido todos os dias, queria ver minhas amigas também todos os dias.

Isso tudo é impossível. Então acho que de acordo com o momento que você tá, entender também o que que é mais importante ali, né? fazer essa reflexão mesmo e entender que na mesma pizza ela precisa acaber.

Então pode ser que você ter esteja num momento que o trabalho vai ocupar maior maior espaço, mas tem outros que não e isso não torna você, né, menos de sucesso ou mais de sucesso. Na verdade, entender isso, eu acho que é o grande sucesso assim da nossa vida e navegar por essas mudanças. >> Muito legal.

Eu não vou falar pras pessoas fazerem terapia, acho que a gente já virou essa inclusive tem um episódio aqui do gerações ao conhecimento terapia. >> Mas eu aprendi com uma terapeuta minha duas coisas. Esteja atenta aos sinais externos e internos e escute e sinta o seu corpo.

Então quando a gente tá fazendo alguma coisa que não tá legal pra gente, que a gente chegou naquele limite desconfortável, alguma coisa no nosso corpo acontece. uma dor, um desconforto, uma suadeira, um tremor, um arrepio, um calafrio, etc. Então, também trazer isso pro outro, né?

E de novo, a maternidade nos ensina muito de que nada é estático, linear, constante, heterogêneo. Então, para tudo a gente vai, ó, igual um bambu, né? Vai flexibilizando, vai indo para um lado e pro outro e a gente se conhecer, né?

Que é a base de tudo. >> E >> muito bom. Obrigada, gente.

>> Então, se você acompanhou aqui até agora, que que a pessoa faz? Pessoa curte, >> curte, compartilha, comenta, né? >> Comenta, se inscreva no canal, segue a gente porque vai valer a pena >> e manda para mais pessoas, tá?

É isso, até o próximo.